Vida Urbana

Casais superam Aids e vencem o preconceito

Casais soropositivos aprendem a conviver com a doença, após choque inicial.




Dia 8 de março de 1996. Há um pouco mais de 16 anos, o servidor público que preferiu se identificar por suas iniciais, S.M.G., de 39 anos, não imaginava que sua vida iria mudar tão bruscamente. Passando por constantes problemas de saúde, a abertura do envelope de um dos exames ao qual se submeteu foi o princípio de uma nova vida. “Meu Deus, estou com Aids”, constatou. Semelhante a essa história, a dona de casa M.C., 37 anos, custou a acreditar que era portadora de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), contraído há 12 anos. Após o choque, a razão falou mais alto, e o que para ambos poderia se transformar em um esconderijo para morrer, transformou-se numa ponte para viver.

As vidas distintas desses campinenses se aproximam às de mais outros 4.773 paraibanos que nos últimos 25 anos foram diagnosticados com o vírus da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), segundo dados do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Esses números apontam que a incidência da doença no estado é de 10,5 a cada 100 mil habitantes, o que tem deixado preocupada a Gerência Operacional das DSTAids da Secretaria de Saúde do Estado.

“Temos detectado um avanço muito grande da doença. Em 2011 foram diagnosticados 281 casos na Paraíba, sendo 199 em pessoas do sexo masculino e 82 do sexo feminino. O que levou a ser registrados 110 óbitos, sendo 78 homens e 32 mulheres. E de 1º de janeiro a 1º de fevereiro deste ano, já foram diagnosticados mais 14 novos casos em homens e três em mulheres”, disse Ivoneide Pereira, gerente operacional.

Inseridos nas estatísticas estão S.M.G. e seu parceiro, que estão juntos há mais de seis anos. Eles fazem parte de um grupo que é chamado de soro concordante, denominação que se dá quando duas pessoas que se relacionam são portadoras do HIV.

Contrariando o que acredita que muitas pessoas possam achar, o servidor público diz que leva uma vida absolutamente normal como os outros, e que não é por conta da doença que ambos são menos felizes.

“Quando uma pessoa tem Aids, não fica escrito na testa que se tem a doença. As pessoas tem que parar com essa ideia e passar a aceitar com naturalidade, porque nós temos uma vida do mesmo jeito que eles. Tomamos nossa medicação, fazemos nossos exames, e precisamos nos cuidar. Mas, infelizmente ainda há quem pense que só em olhar para quem é soro positivo, vai pegar a doença”, contou.
 


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