Vida Urbana

Árvore da espécie Tamboril é a única tombada legalmente

Planta, que se localiza no bairro Nova Brasília, tem mais de 100 anos.   



Leonardo Silva
Leonardo Silva
Tamboril fica nos cruzamentos das ruas Gonçalves Dias e José Aranha, no bairro Nova Brasília

Ponto de encontro para conversas descontraídas e referência popular nos cruzamentos das ruas Gonçalves Dias e José Aranha, no bairro Nova Brasília, a árvore de espécie Tamboril é a única que possui legalmente o registro de tombamento histórico em Campina Grande. O aposentado Severino Torres, 76 anos, disse que a história da árvore é secular. “Eu cheguei para morar aqui há 40 anos, na época, a árvore já existia e os vizinhos falavam muito nessa árvore. Eu lembro que muitas das famílias se reuniam e ficavam conversando na sombra da tamboril”, disse. 

O comerciante Manoel Cândido, 66 anos, ressaltou que árvore é considerada pelos moradores do local como o principal ponto de referência. “Meu estabelecimento comercial fica defronte a árvore e, sempre quando faço a compra de mercadorias eu assino a referência pela localização da árvore, todos aqui do bairro fazem isso. Para gente que vive aqui é um privilégio, até porque cada morador tem uma história diferente a ser contada sobre a árvore, é uma característica do bairro”, comentou.

Árvores desta espécie, segundo o biólogo Daniel Ferreira, estão ficando cada vez mais difíceis de se encontrar. “Devido ao crescimento urbano nos grandes centros muitas destas árvores acabaram perdendo o seu espaço, principalmente porque antes não existia muita rigorosidade no trabalho de fiscalização”, ressaltou.

Segundo dados da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) de Campina Grande, a cidade possui 192 árvores aguardando o processo para tombamento, destas, 190 são espécies de palmeiras imperiais, que ficam localizadas às margens do Açude Velho, no centro da cidade, e na avenida Brasília, no bairro José Pinheiro. As outras duas árvores, uma tipo Ana, está situada na rua Treze de Maio, também no Centro, e na Praça Clementino Procópio, de espécie Figueroa. Outras árvores também já estão em análise pelos técnicos da secretaria para que seja feito o processo de tombamento.  

De acordo com o gerente de paisagismo da Sesuma, Luiz Nóbrega, o processo de tombamento ambiental é a única garantia legal de preservação. “O tombamento é realizado por dois motivos, primeiro pela inclusão da árvore no patrimônio ambiental do município e, segundo, pela preservação, uma vez que as árvores que são tombadas são constantemente monitoradas pelos órgãos fiscalizadores, que realizam ainda todo o trabalho de retirada de folhas maduras e outros procedimentos”, disse. 

Luiz Nóbrega explicou que a secretaria realiza atualmente um estudo na cidade para identificar todas as árvores, principalmente, as que estão localidades em locais públicos. “No momento é realizado um levantamento do número de árvores que existem em Campina Grande, bem como as espécies que são consideradas raras”, ressaltou. 

Pedido de Tombamento

Apesar do processo de tombamento em árvores garantir todos os cuidados necessários, incluindo, a identificação dos locais, a árvore Tamboril não possui nenhuma sinalização ou placa de identificação para o conhecimento da população. Os procedimentos para aprovação do tombamento de árvores acontece a partir da formulação de um projeto encaminhado pela Semusa ou pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) para apreciação na Câmara de Vereadores.  

O pedido de tombamento da árvore Tamboril, única tombada em Campina Grande, aconteceu ainda no final dos anos 1980 pela aprovação da lei municipal n°2000011 de 26 de dezembro de 1989. Apesar da existência da lei, deste tempo até hoje nenhum outro pedido foi formalizado. 
 


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