Vida Urbana

Aposentado de 59 anos morre após esperar sete meses por uma cirurgia

João Batista, de 59 anos, havia conseguido uma liminar na Justiça para realização de uma angioplastia.



Reprodução/TV Cabo Branco
Reprodução/TV Cabo Branco
Aposentado não resistiu à espera e morreu nesta terça-feira, após esperar sete meses por uma angioplastia venosa para tratar um problema de circulação

Um morador do município de Bayeux morreu na madrugada desta terça-feira (19), em João Pessoa, após sete meses aguardando uma cirurgia de angioplastia venosa que seria paga pelo Governo do Estado. João Batista, de 59 anos, recebeu diagnóstico de um problema nos rins provocado pela diabetes e foi recomendado para o procedimento em fevereiro de 2015.

Na última semana, João Batista apresentou complicações no quadro e foi internado na UTI do hospital São Vicente de Paula com dificuldades de circulação em um dos braços. O membro foi amputado na última quarta-feira (13) mas, mesmo após o procedimento, o aposentado não resistiu e morreu de uma infecção generalizada.

"O juiz me deu duas liminares para fazer a angioplastia", lamentou a viúva de João, Maria José, em entrevista à TV Cabo Branco. "Por que não fizeram a cirurgia?", questionou.

De acordo com a sobrinha do aposentado, Andrea Félix, a família vinha sendo ignorada pelo Governo há vários meses. "Estamos revoltados porque a cirurgia foi autorizada há sete meses, se tivesse sido feita no tempo certo ele teria ficado um pouco mais aqui com a gente", desabafou. "Meu tio foi embora mas há muitos esperando na situação dele", concluiu.

João Batista foi velado em sua casa em Bayeux e enterrado às 10h desta quarta-feira (20) no cemitério Nossa Senhora da Boa Morte.

Procedimento foi autorizado em julho de 2015

Como não tinha condições de pagar pela cirurgia, que custa cerca de R$ 23 mil, a família do aposentado conseguiu, em julho de 2015, uma liminar na Justiça para realização do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria Estadual de Saúde (SES) da Paraíba foi notificada para efetuar a angioplastia em até oito dias após o despacho da liminar; o procedimento, entretanto, não foi realizado.

Em setembro de 2015, a SES informou que indicou o Instituto Neuro Cardiovascular de Campina Grande (Incor) para realização do procedimento e que efetuou o pagamento de R$ 23.364,71, acatando a ordem judicial e se eximindo de todas as responsabilidades. O instituto, entretanto, alegou que não recebeu nenhum valor antecipado.

Segundo o juiz Horácio Melo, presidente da Associação dos Magistrados em Bayeux, a justiça cumpriu seu papel ao conceder a liminar para realização da cirurgia. "O poder público que não cumpriu com sua obrigação, o que pode ocasionar um processo de ação reparatória por parte da família", informou.

Instituto e Governo divergem sobre o caso

À TV Cabo Branco, o Incor informou que lamenta a morte de João Batista, mas que não poderia realizar o procedimento sem o pagamento antecipado. A direção da clínica informou ainda que outras três cirurgias do tipo já foram realizadas sem que no Governo realizasse o pagamento.

A Secretaria Estadual de Saúde declarou à TV Cabo Branco que processou a ordem de serviço para a cirurgia no dia 17 de setembro e que tentou entrar em contato com o Instituto várias vezes, sem sucesso. A SES informou ainda que a angioplastia havia sido finalmente marcada para a última segunda-feira (18), mas que a internação de João Batista devido às complicações no braço inviabilizaram a angioplastia. O Governo do Estado deverá publicar uma nota com mais informações sobre o caso ainda nesta quarta (30).


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