Vida Urbana

Além do preso na PB, operação da PF pega mais quatro filhos de Beira-Mar

Luan Medeiros da Costa foi preso em João Pessoa. Investigações mostraram que traficante atuava na prisão.



Divulgação/Depen
Divulgação/Depen
Beira-Mar foi ouvido na penitenciária de Rondônia durante a operação

Além de Luan Medeiros da Costa, preso na Paraíba, a Polícia Federal deteve outros quatro filhos de do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, durante a Operação Epístolas, nesta quarta-feira (24). As investigações apontaram que o criminoso tinha expandido a atuação da sua quadrilha, mesmo preso na Penitenciária Federal de Rondônia.

A Justiça decretou a prisão de 10 parentes de Beira-Mar. Os cinco filhos presos são: Taiuã Vinícius da Costa, Thuany Moraes da Costa, Luan Medeiros da Costa, Felipe Alexandre da Costa e Marcelo da Costa. Também foi presa a advogada Alessandra da Costa, irmã de Fernandinho e apontada como sua conselheira. A mulher do traficante, Jacqueline Alcântara de Moraes, já estava presa no Mato Grosso do Sul e vai ser levada para Porto Velho ainda nesta quarta.

No total, a Operação Epístolas tinha o objetivo de cumprir 35 mandados de prisão, sendo 22 prisões preventivas e 13 temporárias, 27 de condução coercitiva e 86 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Ceará e no Distrito Federal. As principais áreas de atuação de Fernandinho Beira-mar são três comunidades de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: favela Beira-Mar, Parque das Missões e Parque Boavista.

Na Paraíba, além do mandado de prisão contra Luan (foto ao lado), também foram cumpridos um mandado de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento, e três de busca e apreensão. Todas as ordens foram cumpridas em João Pessoa. No final da manhã, o filho do traficante estava prestando depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Cabedelo. Ele, assim como todos os presos, deve ser transferido para Rondônia.

O esquema de Beira-Mar

Nas investigações, a Polícia Federal descobriu que para fazer o esquema funcionar o criminoso contava com a colaboração de presos da penitenciária federal onde cumpre pena. Beira-Mar repassava bilhetes para o vizinho de cela que entregava para a mulher durante a visita íntima. A companheira do detento Cleverson Santos levava para uma digitadora, em Porto Velho. Em troca, a mulher do preso tinha estadia e transporte pagos pela quadrilha de Fernandinho Beira-mar.

Após a digitação da ordem, a digitadora enviava por email ou por mensagens de telefones celulares para integrantes da quadrilha do traficante. A cada semana, em média, um novo email era criado. Assim, Beira-mar tentou evitar o flagrante de ter algum bilhete apreendido com a sua caligrafia. Em 2010, vários bilhetes escritos pelo criminoso foram apreendidos pela polícia. Essa digitadora, que teve a prisão decretada pela Justiça, também cuidava da compra de passagens aéreas para que parentes viajassem do Rio a Porto Velho para visitar o traficante. Por semana, Beira-mar gastava R$ 20 mil em passagens aéreas.

Nas investigações da PF não se encontrou nenhum indício de participação de agentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que auxiliaram nas investigações. Foi um grupo de agentes que encontraram em 2 de julho de 2015 um bilhete rasgado, escrito por Beira-Mar, nos fundos da marmita de refeição servida na unidade.

Nesse bilhete, usando códigos, Beira-Mar dá orientações para compra de telefones criptografados.
A PF confirmou que dias depois da data da mensagem Luan Medeiros da Costa foi até um shopping de Porto Velho comprar telefones celulares. Além de orientar investimentos, o traficante dá broncas na postura dos filhos e chega a afirmar que se não fossem "parentes já estariam mortos há muito tempo. Por muito menos, o Alan morreu". A frase levantou a suspeita de que a quadrilha é responsável por mortes.

Os laudos periciais mostram que os bilhetes apreendidos na cela de Beira-mar foram escritos pelo traficante.


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