Vida Urbana

Agente penitenciário mudou comportamento por causa da filha

Chegada da pequena Maria Alice, de 1 ano e dois meses, trouxe muito mais do que novos hábitos para Ycaro Carneiro. Menina fez com que o pai repensasse decisões e posturas.



Rizemberg Felipe
Rizemberg Felipe
Ycaro Carneiro, que trabalha como agente penitenciário em um presídio feminino de João Pessoa, comenta que parou de fumar e de beber após o nascimento da filha Maria Alice

Antes de ser pai, o agente penitenciário Ycaro Carneiro, de 33 anos, não gostava de crianças. E, de certa forma, sua postura rígida foi, ao longo dos anos, reforçada ainda mais pela profissão. Trabalhando diariamente com presidiários e tendo que cuidar da segurança das unidades prisionais do Estado, Ycaro precisou desenvolver hábitos para evitar que as frequentes situações chocantes do ofício o impactassem. Isso tudo até o nascimento de Maria Alice, de 1 ano e dois meses, sua primeira filha.

“A paternidade trouxe muitas mudanças para a minha vida. A primeira foi parar de fumar e de beber, porque é comum que gente da minha profissão recorra ao alcoolismo para aliviar o estresse”, destaca. “Fiquei também mais recluso. Eu e minha mulher agora pensamos mais antes de sair, nossos programas se resumem a coisas de família”, acrescenta.

Ycaro revela ainda que teve que aprender a cuidar da filha nos dias em que fica em casa. “A gente costuma dividir as tarefas aqui e como trabalho em regime de plantão e minha esposa tem dois expedientes, no meu dia de descanso, fico com a Maria Alice”, explica. “Por causa disso, tenho que ficar de olho na limpeza, no banho, colocar para dormir, observar a alimentação. Fizemos até um cardápio com a nutricionista. É um grande compromisso esse de cuidar de uma vida”.

E engana-se quem pensa que Ycaro tem somente conhecimentos básicos. Durante a preparação para receber Maria Alice, ele aprendeu também sobre a saúde dos bebês, sobretudo das meninas. “A higiene delas precisa ser muito mais cuidadosa que a dos meninos. Com elas, como o sistema é mais interno, o risco de infecção urinária é maior, então a fralda não pode ficar muito tempo”, realça.

Segundo o agente penitenciário, o nascimento da menina aconteceu em uma época interessante de sua vida: quando foi transferido de local de trabalho. “Eu era de uma penitenciaria masculina e fui para um presídio feminino. Esse contato com as mulheres, principalmente as grávidas, me tocou. E quando as apenadas com bebês chegam, a primeira vontade é colocar no colo. Fico com dó, imagino minha filha no lugar”, menciona.

Questionado sobre o futuro, Ycaro diz que espera apenas continuar tão presente na vida de Maria Alice quanto é atualmente e ensiná-la a caminhar sozinha, mesmo que ela faça escolhas diferentes das que ele planejou. “Quero colocá-la em aulas de esporte, de artes marciais. Não quero que ela seja a ‘menininha’, a ‘princesinha’. Ela é menina, mas pode ser atleta, pode ter a profissão que quiser”, conclui, assumindo que, embora haja momentos de insegurança na criação de uma criança, “o amor incondicional” está acima de tudo.


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