Vida Urbana

Açudes acumulam 15% de água no Semiárido

Insa põe em alerta a necessidade de gerenciamento das reservas ainda disponíveis.




Além de estarmos vivenciando a pior seca dos últimos 50 anos, que já fez com que inúmeros açudes chegassem ao colapso na Paraíba, as previsões climáticas para o próximo ano indicam ainda probabilidade de chuvas abaixo do normal. O apontamento é resultado do monitoramento realizado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa), que leva em consideração os dados disponibilizados pela Agência Nacional das Águas (ANA) e de órgãos de gestão dos recursos hídricos de outros estados da região Nordeste, e põe em alerta a necessidade de gerenciamento das poucas reservas de água ainda disponíveis.

No início do ano, conforme boletim do Insa, os reservatórios monitorados na Paraíba estavam com 20% de acumulação de água nos açudes, sendo um dos três menores volumes da região do semiárido Nordestino. Conforme o monitoramento de secas do Nordeste do Brasil, feito pela ANA, na Paraíba, a seca observada em setembro se agravou ainda mais, em virtude do aumento na área de seca com intensidade excepcional, estendendo-se em uma área que vai do oeste até a parte central do Estado. Nas demais regiões da Paraíba também houve um avanço das secas com intensidade extrema, grave e moderada em direção ao leste do Estado.

Já no último mês de outubro, os 109 reservatórios monitorados no Estado, cuja capacidade máxima de armazenamento de água totaliza 3.578 milhões de metros cúbicos, apresentava apenas um volume de 517 milhões, o que corresponde a apenas 15% da capacidade total. Considerando esse levantamento, a Paraíba apresentou 21 mananciais em colapso e 36 em estado crítico, o que corresponde a 53% dos reservatórios monitorados. Em relação aos demais estados do Nordeste, a Paraíba apresenta a pior situação, seguido de Pernambuco, que tem 19 reservatórios em colapso e 23 em estado crítico.

Com isso, a disponibilidade e o gerenciamento dos usos múltiplos da água nas regiões semiáridas continua a ser um dos pontos cruciais para que se garanta o abastecimento das populações nos próximos anos, conforme explicou o professor de Hidrologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) José Nilson Bezerra. “Tem que se fazer uma previsão da seca. Como é que um determinado uso vai comprometer essa reserva? É necessário um esquema de gestão da demanda reduzindo ao máximo possível o consumo de água”, destacou, ao criticar a falta de planejamento no passado e afirmar que agora não é mais possível garantir um fornecimento com água suficiente para atender o padrão anterior.

Especialista na mesma temática, o professor Arthur Mattos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acrescentou que “quando se tem abundância não se pensa no planejamento. Esse esquema de racionalidade do uso não é montado, só na hora da seca as autoridades se lembram disso. Eu não tenho que planejar com a seca, e sim enquanto eu tenho água suficiente”, frisou. Os dois especialistas debateram sobre o gerenciamento e monitoramento dos reservatórios do semiárido Nordestino durante o 2º Workshop Internacional sobre Água no Semiárido Brasileiro, no último mês, em Campina Grande.

Na ocasião, o professor José Nilson Bezerra apresentou ainda o sistema de gerenciamento de recursos hídricos da cidade de San Diego, na Califórnia, Sul dos Estados Unidos. 


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