Vida Urbana

400 esperam na fila do Caps

Com apenas um centro para atendimento de dependentes químicos, Campina Grande tem lista com 400 pessoas esperando tratamento.




Levantamento do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps- AD), pertencente à Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG), revela que, atualmente, existem cerca de 400 pessoas em fila de espera para conseguir uma vaga para tratamento de dependência química na cidade. A cidade conta com apenas um centro voltado ao atendimento do público de dependentes químicos e também não dispõe de leitos em hospitais para viabilizar o início do processo de desintoxicação.

Este cenário mostra que os dependentes químicos que precisam de atendimento médico em Campina Grande não contam com uma assistência adequada para realizar tratamento e se curar do vício. O centro de atendimento existente há cerca de 500 dependentes e há uma demanda quase igual de pessoas que precisam de assistência, mas ainda não conseguiu vaga.

Para reverter esse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde estuda ações de ampliação da rede de atendimento. A ideia é criar leitos em hospitais e implantar novas unidades de Caps. No entanto, para executar estas ações, a SMS terá que resolver entraves burocráticos devido a recursos destinados pelo Ministério da Saúde mas não aplicados pela gestão passada.

A secretária Lúcia Derks informou que, no ano passado, recursos foram destinados pelo Ministério para implantação de uma unidade do Caps AD III, voltado para atendimento de dependentes de crack e outras drogas, mas os R$ 225 mil depositados no dia 2 de agosto de 2012 na conta da Prefeitura não foram utilizados com esta finalidade.

“Verificamos que o dinheiro entrou, não teve custeio, mas não está mais na conta. Estamos indo a Brasília na próxima semana, justamente para tratar sobre a destinação deste e de outros recursos federais voltados para a Saúde de Campina Grande, que foram destinados mas não foram utilizados e não estão mais à disposição da Secretaria para a execução das melhorias que a população precisa. Precisamos saber o que houve e como podemos ter acesso a este recurso, para efetivamente aplicá-lo em prol da população que precisa”, disse Lúcia Derks, acrescentando que recursos para implantação de leitos, em hospitais para o atendimento inicial do dependente, também foram repassados, mas não foram utilizados.

A realidade de dificuldades é sentida na pele por quem necessita de ajuda. “Há dois anos tento encontrar vaga para tratamento do meu filho e não encontro. A gente se sente impotente, porque precisa de apoio profissional para ver quem a gente ama recuperado, mas os meios que existem não são de fácil acesso. O sofrimento só aumenta, porque a gente vê a hora perder o filho de vez para as drogas”, disse a dona de casa Maria de Fátima.


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