Política

Silas Malafaia é alvo de condução coercitiva em operação da PF

Pastor teria usado contas de uma instituição religiosa com intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.



Lula Marques/Agência PT
Lula Marques/Agência PT
Durante a operação houve bloqueio judicial de valores depositados que podem chegar a R$ 70 milhões

A Polícia Federal (PF) realiza nesta sexta-feira (16) operação contra uma organização criminosa investigada por esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral. Na Operação Timóteo a PF realizou a condução coercitiva do pastor Silas Malafaia. O grupo é suspeito de fraudar os valores de royalties de mineração devidos por mineradoras a municípios e a Vale estaria entre as empresas prejudicadas.

Conforme informações do jornal O Globo, embora envolvido, o pastor não é considerado um dos alvos principais da ação. No topo da pirâmide do esquema está o diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) Marco Antônio Valadares e sua esposa.

Cerca de 300 policiais fazem 16 ações, em 52 endereços diferentes, em 11 estados – Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins – e no Distrito Federal. Por determinação da Justiça Federal, além de buscas, os policiais também cumprem 29 conduções coercitivas, quatro mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária, sequestro de três imóveis e bloqueio judicial de valores depositados que podem chegar a R$ 70 milhões.

De acordo com a PF, a liderança religiosa recebeu valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. Silas Malafaia teria usado contas correntes de uma instituição religiosa com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores, segundo a Reuters.

Esquema
Segundo informações da PF, um diretor do DNPM com informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties oferecia os serviços de dois escritórios de advocacia e de uma empresa de consultoria a municípios com créditos de CFEM junto a empresas de exploração mineral.

O caso envolve cobranças judiciais de 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que tem como destino os municípios. A Justiça também determinou que os municípios não façam qualquer contratação ou pagamento aos três escritórios de advocacia e consultoria sob investigação.

A operação, batizada de Timóteo, começou em 2015, quando a então Controladoria-Geral da União (CGU) enviou à PF uma sindicância indicando incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM, que, sozinho, pode ter recebido mais de R$ 7 milhões.


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