Política

Sem pagar aterro, prefeitura de Santa Rita deposita lixo em terreno baldio

Toneladas de lixo foram jogadas em um terreno a céu aberto. O prefeito Netinho está sendo denunciado por crime ambiental.



Rizemberg Felipe
Rizemberg Felipe
Aterro improvisado é também uma área residencial em expansão da cidade

Sem pagar o Aterro Sanitário Metropolitano de João Pessoa desde o mês de junho deste ano, a prefeitura de Santa Rita resolveu depositar os resíduos sólidos do município em um aterro improvisado. Em apenas 10 dias, toneladas de dejetos foram jogados em um terreno baldio, a céu aberto, localizado no Distrito Industrial de Santa Rita, no Jardim Planalto. Os vereadores do município apresentaram ontem denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) contra o prefeito Netinho de Várzea Nova, por crime ambiental.

O aterro improvisado é também uma área residencial em expansão da cidade, rodeada de mata nativa. O amontoado de lixo, segundo moradores, tem causado apreensão devido ao risco de contaminação do lençol freático, sem falar nas doenças relacionadas ao mosquito Aedes aegypti, como a dengue e o zika vírus. Mesmo com o risco, crianças brincam no local, que antes era uma área livre descampada. Também já é vista a presença de catadores de lixo.

Mesmo para quem vive do lixo, a fedentina e o risco da degradação ambiental tem incomodado. É o caso do desempregado Paulo Rodrigues, 56 anos, que mora nas redondezas. “Tem lixo demais, está uma catinga grande, mas acabo vindo para tentar catar alguns materiais recicláveis para vender. Trabalhava na empresa de lixo, aí a empresa parou, fiquei de receber as contas e até agora nada”, comenta.

O vereador João Junior disse que apresentou a denúncia após ter recebido muitas reclamações da população. “Fomos pessoalmente ao local e constatamos a gravidade do risco ambiental. Fotografamos a apresentamos denúncia ao MPF. Estão levando caminhões repletos de lixo. Lá tem uma mata nativa e nossa preocupação é que as fortes chuvas carreguem o chorume para o rio e, o que é pior, prolifere ainda mais a dengue nos trabalhadores das indústrias da região”, justificou.
A assessoria do MPF informou que o órgão está em recesso e, por isso, a denúncia ainda não foi recebida formalmente, mas que, tão logo seja recebida, será avaliada a urgência para que seja distribuída ao procurador de plantão.

Conforme o Sagres, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), a Rumos Construções Ambiental Ltda., contratada ainda na gestão do então prefeito Reginaldo Pereira, recebeu de janeiro a junho deste ano R$ 1,077 milhão para acolher os resíduos sólidos de Santa Rita. Desde julho, o contrato não é honrado pelo município.

O lixo, inclusive, é um problema recorrente para os moradores de Santa Rita. Em janeiro deste ano, indignados com a suspensão da coleta domiciliar, os moradores depositaram um caminhão caçamba coberto de resíduos na porta da prefeitura. Este ano foram empenhados R$ 10,73 milhões e pagos R$ 7,73 milhões à Geo Limpeza Urbana, empresa responsável pela coleta do lixo em Santa Rita.  O prefeito Reginaldo Pereira, à época no comando da gestão, justificou que o problema havia sido deixado por Netinho de Várzea, que havia ficado no comando da prefeitura por nove meses.

Apesar do que presenciado pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA, ontem, o prefeito disse que o problema foi contornado e o lixo começou a ser retirado e levado para o Aterro Sanitário. Netinho jogou a culpa pelo atraso para a empresa, que, segundo ele, teria entregue a cobrança pelos serviços a um funcionário inexistente. O prefeito disse ainda que por conta dos festejos natalinos, só ontem o pagamento foi normalizado.


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