Política

Segundo vereador do Conde é preso suspeito de pressionar testemunhas de 'partilha' de salários

Sessão da Câmara tinha sido suspensa no mesmo dia para a prisão do primeiro vereador, pelo mesmo motivo.




Foi preso ainda na segunda-feira (6) o segundo vereador do Conde suspeito de pressionar testemunhas da investigação que apura denúncias de ‘partilha’ de salários de assessores com vereadores da Casa. Malbatahan Pinto Filgueiras, conhecido como Malba de Jacumã, foi encontrado por policiais em sua residência. Mais cedo, a sessão da Câmara Municipal foi interrompida para a prisão do vereador Ednaldo Barbosa da Silva, conhecido como Naldo Cell. As duas prisões aconteceram  durante a operação Cavalo de Tróia, desencadeada pela Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público da Paraíba.

Os dois são investigados no inquérito que apura denúncias de que vereadores recebiam parte dos salários de assessores contratados pela Câmara do município. O mandado de prisão preventiva da Comarca do Conde atendeu a um pedido da Delegacia de Combate ao Crime Organizado porque o vereador é suspeito de pressionar testemunhas. As investigações contam com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria Cumulativa do Conde.

A defesa de Naldo Cell, disse que o vereador não ameaçou nenhuma testemunha e que aguarda a audiência de custódia. Já a defesa de Malba informou que o vereador é inocente.

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Segundo informações da polícia, Ednaldo teria enviado uma assessora procurar uma ex-funcionária da Câmara que tinha sido chamada a depor. O ‘recado’ era que essa ex-funcionária poderia ‘se prejudicar caso prestasse depoimento’. Depois de ser preso, Ednaldo foi levado para a Central de Polícia, em João Pessoa, onde está sendo ouvido na tarde desta segunda-feira. Ainda não há informação de quando deve acontecer a audiência de custódia do vereador.

Uma testemunha que já foi ouvida pela polícia não apenas declarou que recebia seu salário e repassava parte para o vereador como também apresentou comprovantes de depósitos feitos na conta dele com o valor repassado. Ednaldo também já tinha sido citado pelo vereador Fernando Boca Loca como um dos vereadores que tinham essa prática na Câmara. Convocado pela Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deccor), o vereador admitiu o crime e passou a colaborar com a Justiça.

O caso chegou ao conhecimento do delegado Allan Murilo Terruel após a descoberta do esquema por uma equipe do Bolsa Família. Uma beneficiária foi identificada como servidora do Legislativo e, ao ser procurada pela equipe do programa, confessou que recebia o salário de R$ 1 mil, mas só ficava com R$ 100 porque o restante era repassado para o vereador Boca Loca.


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