Política

Ricardo fala em áudios 'fora de contexto' e 'perseguição política' na Calvário

Ex-governador disse que a investigação não apresenta provas contra ele.




Ricardo chegou a ser preso, mas foi solto por decisão do STJ (Foto: Arquivo)

O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), disse que as investigações da Operação Calvário são fruto de uma perseguição para destruir a reputação dele. O socialista disse que os áudios apresentados como provas da participação dele no esquema criminoso, que desviou dinheiro da Saúde e da Educação, estão fora de contexto.

“Uma dessas conversas diz respeito à ajuda de campanha. Houve essa conversa, não daquela forma, descontextualizada. Nunca recebi nada, nenhum tipo de doação. Essa conversa truncada e provavelmente editada se deu na campanha de 2018. E eu pedi que procurasse uma determinada pessoa. Eu não tenho conhecimento se houve qualquer tipo de doação dessa OS para a campanha”, disse Ricardo em entrevista ao portal Uol, se referindo a um dos diálogos com o empresário Daniel Gomes, que representava a Cruz Vermelha e o IPCEP.

“Uma outra [conversa] diz respeito à participação na sociedade em um laboratório farmacêutico, em uma conversa com um empresário que estava sendo extorquido por uma autoridade, que não posso dizer quem é. Fiquei jogando o jogo dele para obter a informação. Fiquei fazendo de conta que gostaria [de ter participação na sociedade] até conseguir a informação. Nunca tive sociedade com ninguém. Não é a minha área”, argumenta o ex-governador.

A Operação Calvário investiga uma suposta organização criminosa que desviou R$ 134,2 milhões de recursos da saúde e educação. Foram presas 14 pessoas, sendo nove na Paraíba, duas no Rio Grande do Norte, uma no Rio de Janeiro e uma no Paraná. Todos os 54 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O ex-governador é apontado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) como o chefe da organização criminosa.

Ricardo chegou a ser preso, na noite de quinta-feira (19), mas foi libertado no sábado (21) após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao Uol, Ricardo disse que a acusação contra ele é absurda. “Estamos em meio a uma guerra violenta. Não é só comigo. Eu estou sendo massacrado. Essa construção de narrativas não visa somente me atacar”, afirmou. “Meu patrimônio é totalmente compatível com a renda que obtive ao longo desses 28 anos de exercícios de mandatos públicos. A casa que eu tenho foi declarada no valor integral. E não se apresenta uma prova de onde está esse dinheiro. Rapaz, meu carro é de 2007! Estou sendo vítima de uma perseguição política”, reforçou.

“O MP diz que eu recebia R$ 500 mil por mês. Pelo amor de Deus, como alguém recebe esse valor? Vou botar onde esse dinheiro? É um negócio absurdo, que se diz sem a menor preocupação com o dano que se causa às pessoas envolvidas. Uma instituição do porte do MP deveria ser mais cuidadosa”, declarou Ricardo.

“O que eu faço é política. E eles [MPPB] usam trecho de diálogo fora do contexto para me reduzir a chefe de organização criminosa? Tem que provar. Ninguém diz onde está esse dinheiro. Saí do governo, não tem mais nada. Mas a história era destruir a reputação. Eu compreendo que isso faz parte do Brasil de hoje. Outras pessoas já passaram por isso. Mas quem recupera? Isso não se recupera. E é algo lamentável”, justifica o ex-governador.

Propina entregue por Livânia

O blog do jornalista Suetoni Souto Maior teve acesso aos vídeos dos depoimentos da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias. Ela firmou acordo de delação premiada e relatou aos investigadores a entrega de propina com dinheiro em espécie a Ricardo Coutinho

Em uma das oportunidades, o montante foi de R$ 800 mil, recebidos diretamente de Jardel Aderico, da Inteligência Relacional. O empresário foi preso na quinta fase da operação Calvário. Ele é acusado de envolvimento em esquema de desvio de recursos em contratos da Educação. O ex-governador foi preso na sétima fase da operação, que foi batizada de Juízo Final. Livânia conta que do mesmo Aderico recebeu mais R$ 1 milhão, que foram levados novamente em mãos e entregues ao governador na Granja Santana.


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