Política

Presas na Calvário, Estela e Márcia Lucena expandiriam esquema para João Pessoa e Conde

As duas e a deputada Cida Ramos são tratadas como articuladoras da organização criminosa.





A sétima fase da Operação Calvário, deflagrada nesta terça-feira (17), coloca três mulheres do PSB como o segundo núcleo da organização criminosa suspeita de desviar recursos da Saúde e da Educação. Segundo as investigações, as deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra e a prefeita do Conde, Márcia Lucena, estão abaixo apenas do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) no suposto esquema. Estela e Márcia foram presas e delatores apontam que elas tinham o compromisso de expandir os negócios ilegais para João Pessoa e para o Conde.

Veja a cobertura completa da Operação Calvário

Estela Bezerra

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou nas investigações que Estela Bezerra é uma das principais responsáveis pela “estruturação” das atividades do grupo. O que teria ocorrido através de Cláudia Veras, que foi secretária executiva e titular da Saúde estadual. Veras também foi alvo de mandado de prisão na operação desta terça-feira.

De acordo com o empresário Daniel Gomes, diretor da Cruz Vermelha Brasileira e um dos delatores do esquema, Estela assumiu o compromisso de levar as práticas existentes na administração estadual para o município de João Pessoa. Em 2012, a deputada disputou a prefeitura da capital paraibana. Daniel disse que foi apresentado a Estala por Livânia Farias e os integrantes do esquema criminoso se empenharam para a vitória dela. O empresário afirmou que fez uma doação de R$ 500 mil em espécie para a campanha de Estela. A socialista acabou sendo derrotada naquele pleito, ficando na terceira posição.

O empresário disse que manteve contato com Estela depois que ela se tornou secretária de Comunicação e voltou a doar dinheiro para ela nas campanhas que ela disputou vaga na Assembleia Legislativa. Em 2014, foram R$ 100 mil e em 2018, R$ 300 mil. Nessa última toda a estrutura da Cruz Vermelha foi disponibilizada para a deputada. Uma funcionária do gabinete dela chegou a ser nomeada presidente da entidade na Paraíba.

Márcia Lucena

A prefeita do Conde, Márcia Lucena, teve uma atuação parecida com a de Estela no esquema, segundo as investigações. Ela é tratada como uma das principais responsáveis por fazer a organização ‘funcionar’ na Educação do estado, pasta da qual foi chefe. Daniel Gomes disse que a eleição dela como prefeita ocorreu com recursos do ‘caixa da propina’.

Daniel disse durante as investigações que o apoio a Márcia seria uma forma de estabelecer as operações da Cruz Vermelha no Conde, garantindo as atividades em outras cidades e a viabilidade financeira caso Ricardo Coutinho não conseguisse eleger o sucessor. Daniel disse ter doado R$ 100 mil para a campanha de Márcia.

Logo no primeiro ano de gestão, Márcia Lucena formatou um projeto de lei para garantir a atuação das organizações sociais na cidade. Livânia acertou com Daniel que ele deveria repassar R$ 40 mil mensais a Márcia pelo projeto de gestão da saúde. Essa informação é reforçada por outra delatora, Claudia Camisão, que relatou ter repassado R$ 40 mil em mãos ao marido da prefeita, o ator Nanego Lira. O projeto para atuação das organizações sociais acabou sendo suspenso.

O Ministério Pública cita como outro fato que comprovaria a implantação do esquema no município a compra de insumos de educação à empresa Brinkmobil, já investigada na Calvário.

Cida Ramos

A decisão do desembargador Ricardo Vital, que determinou o cumprimento dos mandados, não dá muitos detalhes sobre as suspeitas que recaem contra a deputada Cida Ramos. Ela é a única das três integrantes do segundo núcleo político que não foi presa nesta terça-feira, sendo alvo apenas de um mandado de busca e apreensão.

Cida é tratada como “uma das mais fiéis integrantes da empresa criminosa”. Ela teria sido escolhida para representar os interesses da organização criminosa nos poderes executivo e legislativo.

Possíveis desdobramentos

A prisão da deputada Estela Bezerra pode ser revogada pela Assembleia Legislativa. Em nota na manhã desta terça-feira, a Casa disse que vai recorrer à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que faculta aos deputados estaduais a possibilidade de revogar a decisão de prisão expedida pela Justiça. A Assembleia vai aguardar ser notificada pela Justiça para colocar a questão em votação.

No caso de Márcia Lucena, com a prisão preventiva deve haver uma mudança no comanda da administração municipal. Como o vice-prefeito da cidade, Temístocles Ribeiro (Patriota), renunciou ao cargo, o presidente da Câmara, Carlos Manga Rosa (MDB), assume a prefeitura em solenidade programada para acontecer na noite desta terça-feira, segundo a assessoria da própria prefeitura.

O que dizem as investigadas

O advogado da deputada Cida Ramos disse que ela está tranquila e contribuindo com as investigações, que cumpriram mandado de busca e apreensão em seu endereço, onde ela deve permanecer o resto do dia nesta terça-feira.

A assessoria da prefeitura do Conde disse às 15h50 que ainda não tinha posicionamento sobre o envolvimento da prefeita Márcia Lucena nas investigações.

A defesa de Estela Bezerra ainda não se pronunciou sobre o caso.

 


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