Política

Papa Francisco recebe Dilma

Dilma Rousseff foi a primeira chefe de Estado recebida pelo Papa Francisco; encontro no Vaticano durou cerca de 20 minutos.



Roberto Stuckert Filho / Divulgação
Roberto Stuckert Filho / Divulgação
Para a presidente, o fato de o papa ser argentino o diferencia por suas preocupações

Falando uma mistura de português com espanhol, o papa Francisco conversou ontem com a presidente Dilma Rousseff por cerca de 20 minutos no Vaticano. Segundo a presidente, o pontífice se disse comovido com a tragédia ocorrida em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro, que deixou 241 mortos após incêndio na Boate Kiss. O pontífice teria elogiado a forma como o Brasil reagiu à tragédia: com força e ternura. Dilma foi a primeira chefe de Estado recebida por Francisco, depois da cerimônia que marcou, na terça-feira, 19, o início do seu pontificado. As informações são da Agência Brasil.

“O papa disse: ‘Eu fiquei muito comovido com a questão que ocorreu em Santa Maria. Eu acho que a gente tem na vida que demonstrar força e ternura’”, contou a presidenta. “Em Santa Maria, o Brasil demonstrou força e ternura, ele disse.”

Ainda durante o encontro, o potífice teria se mostrado entusiasmado com sua vinda ao Brasil, programada para o mês de julho, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada no Rio de Janeiro.

Bem-humorado, o papa recomendou que a presidente leia um livro sobre a conferência dos bispos sul-americanos, presenteado por ele, mas disse que não há necessidade de ler todos os capítulos, apenas os que a interessem.

"Você não precisa ler tudo, porque pode se aborrecer. Então, você pega o índice e vai nos assuntos que te interessam", contou Dilma, reproduzindo o conselho de Francisco.

Para a presidente, o fato de o papa ser argentino o diferencia por suas preocupações e sua sensibilidade em relação a temas como o combate à pobreza e o apoio aos mais frágeis. “Ele [Francisco] disse que está com o Brasil e com a América Latina.

É um papa muito normal. Ele fala um portunhol e entende o português”, disse ela.

Dilma Rousseff ainda se disse impressionada com o estilo do papa. “É um papa muito modesto”, ressaltou. “Eu acho que ele será um papa muito importante”, completou.

Dilma viajou para a Itália no último dia 17, acompanhada pelos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores], Helena Chagas (Comunicação Social), Aloizio Mercadante (Educação) e Gilberto Carvalho (Casa Civil).

A presidente e a comitiva retornaram ontem ao Brasil, logo após a audiência com o papa, por volta das 13h (9h de Brasília). A viagem dura aproximadamente dez horas.

OUTRAS RELIGIÕES
Depois de se dirigir nos últimos dias aos católicos, ontem foi a vez de o papa Francisco lançar uma mensagem às demais religiões, propondo "diálogo e amizade" a seus líderes e pedindo "respeito" a todos. O pontífice prometeu manter o diálogo "fraterno" da igreja católica com judeus e trabalhar com os muçulmanos para o bem comum. Francisco reuniu-se ontem com representantes de doze religiões e tradições que participaram da missa de sua entronização, um dia antes.

A maior parte dos comentários foi dirigida aos grupos cristãos, particularmente os ortodoxos, que foram representados, entre outros, por Bartholomeu I, o primeiro patriarca a comparecer à posse de um papa desde que as igrejas católica e ortodoxa se separaram, quase 1.000 anos atrás.

O argentino inovou uma vez mais no cerimonial. Abandonou o trono e o trocou por uma cadeira. Ele ainda colocou os líderes religiosos em um círculo, num sinal de proximidade. Francisco prometeu cooperar com os cristão ortodoxos, apontou as ligações espirituais com judeus e declarou sua "gratidão" aos líderes muçulmanos. A reunião também contou com budistas, hinduístas e protestantes.

Francisco inovou ainda ao lançar um gesto aos que buscam a verdade, a bondade e a beleza sem pertencer a uma religião. "Eles são nossos aliados preciosos no compromisso de defender a dignidade humana", disse, num claro contraste à posição de Bento XVI. (Com Agência Estado)


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