Política

Moro diz que dinheiro da corrupção não volta sem cooperação

Em palestra realizada neste sábado (28) na Capital, juiz afirmou que trabalho depende de apoio internacional para avançar. 



Reprodução/YouTube
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Durante evento, juiz Sérgio Moro ainda voltou a defender o instituto da delação premiada

O juiz federal Sérgio Moro cobrou uma maior colaboração entre os país para o combate à corrupção. Responsável pela condução da Operação Lava Jato, que investiga desvio de recursos da Petrobras, o magistrado realizou na manhã deste sábado (28) a palestra magna de encerramento da Conferência Internacional “Investimento, Corrupção e o papel do Estado – Um Diálogo Suíço-Brasileiro”, realizada no Centro Cultural Ariano Suassuna, no anexo do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, em João Pessoa.

Moro destacou que uma barreira a se vencer, no que se refere ao combate à corrupção, é o fato de que os crimes atualmente ultrapassam as fronteiras e é preciso da colaboração dos organizamos internacional para avançar nas investigações para localizar e reaver o dinheiro desviado, muitas vezes ocultados em paraísos fiscais como Uruguai, Panamá, Ilhas Virgens, Mônaco, Belize, Andorra, Suíça.

Segundo o magistrado, apesar das dificuldades, alguns países tem colaborado, como a Suíça, para onde são destinados boa parte do dinheiro desviado nos esquemas de corrupção, mas em alguns casos as investigações esbarram em barreiras formais e procedimentais. “Por vezes, alguns países só liberam as informações depois da investigação ser concluída”, comentou, enfatizando que, graças à colaboração internacional, parte dos recursos desviados já estão sendo devolvidos aos cofres públicos brasileiros. Moro citou o exemplo dos R$ 98 milhões desviados por um diretor da Petrobras, que foram repatriados ao Brasil.

Sérgio Moro, ainda, voltou a defender o instituto da delação premiada, que vem sendo questionada pelo Congresso Nacional. Para o juiz da Lava Jato, que tem usado o mecanismo para avançar nas investigações, o combate à corrupção seria mais difícil. “O dinheiro tem coração de coelho e patas de lebre – ele circula muito rápido”, enfatizou.

 

 


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