Política

Ministro da Educação diz que não se pode discutir questões de gênero com crianças: “sou radical”

Durante Aula Magna da UFPB, Milton Ribeiro disse que crianças sabem até colocar uma camisinha, mas não saberiam entender esse tipo de discussão.




Ministro da Educação Milton Ribeiro na UFPB nesta segunda-feira (26). Foto: (Aline Lins/Divuglação/UFPB)

 

O ministro da Educação Milton Ribeiro declarou nesta segunda-feira (26) que é radical sobre questões de gênero. “(…) a natureza diz que é homem, é XY, mas eles querem dizer que a pessoa pode escolher o que quer. Não pode ser assim. Nesse ponto eu sou bem radical”, disse durante aula magna inaugural do semestre letivo 2021.1 na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, nesta segunda-feira (26).

Milton Ribeiro, que também é pastor, afirma que ele mesmo retirou questões de gênero do edital do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Ele também excluiu trechos que citavam o compromisso da agenda da não-violência contra a mulher – decisão publicada no no Diário Oficial da União (DOU) de 12 de fevererio.

No evento da UFPB, ele tentou se explicar. “Crianças com 9, 10 anos sabem ler, sabem tudo, com respeito a essas senhoras aqui presente, sabem até colocar uma camisinha, mas não sabem que B + A é BA. Estava na hora de botar um basta nisso. (…) Eu retirei do edital do livro didático questões de gêneros para crianças de 6 a 10 anos. Onde já se viu começar a discutir esses assuntos?”

A pesquisadora de gênero, professora e uma das coordenadoras do Fórum de Mulheres em Luta da UFPB, Margarete Nepomuceno afirma que a fala do ministro foi lamentável.

 “A educação deve ter espaços plurais e de respeito às diferenças de gênero e sexualidades, e sim, espaço de diálogo e debate sobre a construção cultural que leva a manutenção da violência, da opressão e morte das mulheres e comunidade LGBTQ”, disse

Conforme a pesquisadora, deveríamos falar mais sobre a pluralidade de vivências de gênero, mas parece que existe mais medo do assunto do que de violência.

Fundeb e problemas na pandemia

Ainda no mesmo encontro, o ministro ignorou os erros no repasse de recursos do Fundeb e se limitou a dizer que foi um problema de computador. 

“O mais importante é que nós conseguimos passar da contrapartida do Governo Federal de 10% para 23% até 2026, foi uma grande vitória da educação básica brasileira”, disse.

Milton Ribeiro declarou que o governo precisou escolher entre o investimento em pesquisa ou colocar comida na mesa de brasileiros, para justificar a redução de recursos da pasta que comanda. “Fomos obrigados a cortar parte do nosso orçamento, porque uma necessidade de guerra nos obrigou”, disse o ministro, em entrevista à TV Cabo Branco.

Ele explica que o Governo Federal está tentando mitigar os prejuízos da pandemia. O ministro aponta autorização de R$ 4.3 bilhões para que crianças possam retirar um kit alimentação como um exemplo dessa política pública durante a crise de saúde da Covid-19.

Apesar disso, o Programa Educação Conectada, do MEC, que tem como meta ampliar a conexão de internet nas escolas, teve em 2020 menos da metade das verbas do ano anterior. Mesmo assim, o ministro afirma que o problema da conexão no Brasil ainda é crescente e difícil de ser resolvido.

“São 48 milhões de alunos, e se você imaginar, temos 54 mil escolas rurais que nem sinal de internet tem, não adiantaria chegar um tablet, mas o MEC está procurando junto aos estados e municípios minimizar essa perda.”


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