Política

Governo da Paraíba e outros poderes decretam luto pela morte do senador e ex-governador José Maranhão

Político morreu aos 87 anos, na noite desta segunda (8), por conta de complicações da Covid-19.




Foto: Agência Senado

O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), decretou luto oficial de três dias no estado pela morte do senador e ex-governador do estado, José Maranhão (MDB). O Senado, a Assembleia Legislativa da Paraíba, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), e a Câmara Municipal da capital paraibana também decretaram luto. Maranhão morreu na noite desta segunda-feira (8) após mais de dois meses internado se tratando de complicações causadas pela Covid-19. 

“Uma tristeza imensa para todos nós, paraibanos e paraibanas, a morte do senador, ex-governador e grande paraibano José Maranhão. Das muitas vidas perdidas e histórias desfeitas pela pandemia, chega ao fim a trajetória de um homem público que dedicou sua vida ao nosso estado”, disse o governador João Azevêdo, em pronunciamento nas redes sociais. “Presto minha solidariedade e o mais profundo pesar aos familiares, em especial a desembargadora Fátima Bezerra, seus filhos e netos”, escreveu o chefe do Executivo.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, emitiu nota de pesar pela morte  e decretou luto.de 24 horas. “As sinceras condolências do Parlamento Brasileiro à família, amigos e a todos os paraibanos e paraibanas”, disse Pacheco.

O prefeito de Araruna, Vital Costa (PP), decretou luto oficial por três dias. Em nota, a prefeitura da cidade natal do senador afirma que ele  “integrava um quadro de homens públicos paraibanos que deram grande contribuição à história política da Paraíba e do Brasil”.

Em nota oficial, o prefeito Cícero Lucena manifestou o seu pesar pela morte do líder político com quem teve momentos importantes em vários anos de carreira política. “Recebi com o peito inundado de lágrimas a notícia da morte do grande amigo de muitas batalhas, o senador da república, José Targino Maranhão”, destacou.

“Maranhão manteve sua biografia e sua alma limpas mesmo diante das incontáveis disputas políticas que travou, incessantemente defendendo as cores do MDB”, ressaltou Cícero Lucena. 

“É com profundo pesar e o coração quebrantado que lamentamos a morte do senador e ex-governador José Maranhão. Maranhão demonstrou nos últimos dias, na luta contra os efeitos deste vírus devastador, a mesma garra e determinação, que nortearam toda sua trajetória de vida, mas infelizmente é mais um a tombar diante deste inimigo invisível e cruel. A desembargadora Fátima Bezerra, companheira inseparável de vida e lutas, minha solidariedade, estendida aos filhos, parentes e amigos”, disse o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (PSB). O chefe do Legislativo estadual decretou sete dias de luto.

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de João Pessoa decretou luto oficial de três dias pela morte do senador José Maranhão. “A Paraíba inteira está de luto. Perdemos hoje um grande paraibano, o Senador José Maranhão. Perdemos um grande companheiro e ícone da vida política do Estado ao longo de sete décadas”, disse o presidente da Casa, vereador Dinho (Avante).

O corpo de Maranhão vai ser levado para Araruna, onde será enterrado. Antes, ele vai ser velado no Palácio da Redenção, sede do governo estadual, em João Pessoa. 

Histórico de Maranhão

 

José Maranhão foi contaminado pelo novo coronavírus durante as Eleições 2020 e foi internado pela primeira vez, em um hospital particular de João Pessoa, em 29 de novembro do ano passado, dia da realização do segundo turno do processo eleitoral.

Durante os dias em que esteve internado, chegou a ser alvo de informações falsas, que tratavam sobre a sua morte. Em publicações em sites de redes sociais, a família do político paraibano pedia respeito, mas principalmente orações para o senador.

José Targino Maranhão nasceu em Araruna, no Agreste paraibano, em 06 de setembro de 1933. Advogado, pecuarista e empresário, Zé Maranhão, como era carinhosamente chamado pelo povo, carregava a política em seu DNA. Seu pai, Benjamim Gomes Maranhão, foi líder político e prefeito de Araruna em 1955. Seu avô materno, José Targino, foi vice-governador da Paraíba de janeiro de 1947 a julho de 1950 e governador, até janeiro de 1951.

Maranhão entrou para a política em 1954. Um ano depois foi eleito deputado estadual, cargo que ocupou por quatro mandatos consecutivos. Em 1969, durante a Ditadura Militar no Brasil, Maranhão teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, retornou à política filiando-se, em 1980, ao recém-criado Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), hoje MDB. Em novembro de 1982, José Maranhão foi eleito deputado federal, cargo que ocupou entre os anos de 1983 a 1994.

Foi deputado constituinte, integrando Comissão da Organização do Estado. Se posicionou favorável às reformas constitucional e agrária, à legalização dos jogos de azar e à realização de eleições diretas em todos os níveis.

Em outubro de 1994, José Maranhão foi eleito vice-governador da Paraíba, na chapa encabeçada pelo senador Antônio Mariz. Na época, chegou a exercer interinamente a chefia do Governo da Paraíba, nas várias licenças de Mariz para tratamento de saúde. Permaneceu no cargo até 17 de setembro de 1995, quando assumiu a cadeira de governador do estado, por causa do falecimento de Antônio Mariz.

Foi reeleito para o Governo da Paraíba em 1998, com mais de 80% dos votos, enfrentando nas urnas o, à época, deputado federal Gilvan Freire, candidato pelo PSB.

Em 2002, Maranhão renunciou ao governo estadual para disputar uma vaga de senador, deixando no cargo o seu vice, Roberto Paulino. No pleito para o Senado, Maranhão recebeu foi eleito com 831 mil votos.

Quatro anos depois, José Maranhão tentou ser governador pela terceira vez, mas foi derrotado por Cássio Cunha Lima. Por causa de processos envolvendo crimes eleitorais, que levaram à cassação de Cássio, Maranhão voltou a assumir o Governo da Paraíba na condição de segundo colocado, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral, em 17 de fevereiro de 2009.

Em 2012 foi candidato a Prefeito de João Pessoa, mas terminou a eleição em quarto lugar. Dois anos depois, em 2014, concorreu ao Senado e liderou a corrida eleitoral desde a primeira pesquisa de intenções de votos.

José Maranhão tinha 87 anos, era casado com a desembargadora do Tribunal de Justiça da Paraíba, Fátima Bezerra Cavalcanti. Ele apoiou o candidato a prefeito de João Pessoa, Nilvan Ferreira e estava participando ativamente da campanha, mesmo diante da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

No dia 29 de novembro, dia do segundo turno das Eleições 2020, foi diagnosticado com a Covid-19 e chegou a ser internado em um hospital particular de João Pessoa. Desde 4 de dezembro estava internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo.


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