Policial

PRF prende 47 pessoas em rinha de galo no Rangel; até juiz apostava nas brigas

Operação Gladiadores apreendeu 225 galos de briga, sete cachorros pit bull e R$ 30 mil em dinheiro. Até juiz estava entre os apostadores da rinha.




Karoline Zilah
Com informações da PRF

Mais de 225 galos de briga, sete cachorros da raça pit bull e 47 pessoas foram detidas em João Pessoa na Operação Gladiadores, a maior ação conjunta da Polícia Rodoviária Federal com o Ibama já realizada no Nordeste. A abordagem, que contou também com o apoio da Polícia Civill, aconteceu na noite da sexta-feira (8).

Segundo informações do escrivão Cássio Espíndola, da 9ª Delegacia Distrital de Mangabeira, a “rinha” de galo foi encontrada em uma casa aparentemente residencial no bairro do Rangel.

De acordo com o inspetor da PRF, Genésio Vieira, foram encontradas 150 pessoas, "entre elas, vários empresários, juristas, advogados, inclusive um Juiz de Direito e policiais graduados num local super estruturado, com três arenas, um bar e centenas de baias para alojar os galos", comentou o assessor em nota à imprensa. O nome do juiz ainda não foi revelado pela PRF.

Ainda no saldo da operação, foi encontrada uma quantia de aproximadamente R$ 30 mil em dinheiro referente às apostas, além de duas motocicletas 0 km, prêmio que seria entregue aos primeiros colocados.

Segundo Genésio Vieira, a operação foi deflagrada por volta das 20h com o objetivo de reprimir o crime contra a fauna brasileira. A denúncia foi recebida pelo Ibama, que contou com o apoio da PRF para investigar o caso. Durante dois meses, os inspetores observaram a movimentação em uma rinha de galo localizada na rua Cônego Vicente Pimentel, no bairro do Rangel, em frente a uma escola municipal.

Neste final de semana, estava sendo realizado um torneio interestadual de briga de galo, que foi interrompido pela abordagem de 26 policiais rodoviários federais, 22 fiscais do Ibama e seis PMs da Polícia Florestal. Ainda segundo Genésio Vieira, a operação utilizou um caminhão disfarçado para não chamar a atenção dos apostadores e surpreendê-los no momento certo.

A PRF também relatou que os envolvidos no esquema consideravam a contravenção como um esporte, e não como crime, realizando apostas altas em dinheiro durante o confronto dos animais. Do grupo, foram presas e levadas em um ônibus para a Central de Polícia Civil 47 pessoas.

Destes, duas pessoas ficaram presas em flagrante por porte ilegal de arma, entre eles o dono do estabelecimento, o comerciante João Maurício, de 44 anos. Foram encontradas duas pistolas calibre 380, um revólver calibre 38 e uma grande quantidade de munição para armas pesadas de uso restrito de forças do exército, como balas de calibre 45.

Ainda no interior de uma casa anexa à rinha, a polícia encontrou cinco pessoas escondidas dentro de um quarto com o proprietário da casa, que, mesmo armado, não reagiu à prisão. Em outros cômodos da casa, havia centenas de cartuchos de espingarda calibre 12 vazios, além de munições para fuzil 762, pistola 45, revólver 38 e espingarda 12.

Uma terceira pessoa, Getúlio Manoel Belém, já tinha mandato de prisão por homicídio cometido em Pernambuco, e está sendo encaminhado no momento para a Central de Polícia. Segundo o escrivão Cássio Espíndola, os demais envolvidos nas apostas vão responder por envolvimento em jogos de azar e por maltrato aos animais, cujas punições variam entre multa de R$ 250 a R$ 3 mil e pena de três meses a um ano de prisão.

O Conselho Tutelar também foi acionado porque, no local, havia crianças e adolescentes. Seis pais foram autuados por permitirem que os filhos freqüentassem o ambiente, considerado inadequado. O Ibama informou que os galos apreendidos serão levador para um centro de triagem e, depois, doados para insituições de caridade.

Atualizada às 9h30.


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