Policial

Polícia confirma: ordem para queimar ônibus partiu do Serrotão

Informação foi confirmada pelo Delegado Henry Fábio,  que disse ainda que as ações tinham como principal objetivo afrontar os órgãos de segurança pública do Estado.



Artur Lira
Artur Lira
A coletiva havia sido convocada para apresentar as três pessoas presas e um adolescente apreendido durante a operação 'Ignis'

Os ataques ocorridos em Campina Grande nos últimos cinco dias que resultaram em dois ônibus queimados e outro danificado foram orquestrados por dois detentos do presídio Raimundo Asfora (Serrotão). A informação foi confirmada pelo Delegado de Roubos e Furtos, Henry Fábio,  que disse ainda que as ações tinham como principal objetivo afrontar os órgãos de segurança pública do estado. As declarações foram concedidas durante uma entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (18), na Central da Polícia. 

Segundo o delegado Henry Fábio, as ordens para queimar o ônibus partiram dos apenados Marcelo Fontinele e André Lima que estavam no Serrotão e foram transferidos para o presídio PB1 em João Pessoa. As ordens eram repassadas para a rua por Francinalda da Silva, 30 anos, Daniele Ângelo Pereira, 31, esposas dos dois, que também foram presas durante a operação.

Além delas, a Polícia prendeu ainda Adeilton de França Santos, 21 e um adolescente de 17 anos, envolvidos nos incêndios. As prisões ocorreram nos bairros da Glória e José Pinheiro, na zona leste. Nas residências dos suspeitos foram apreendias três armas de fogo, cerca de 5 quilos de maconha prensada e solta, vários celulares,  um galão de 20 litros para combustíveis e dois litros de coquetel molotov (espécie de bomba caseira para provocar incêndios) prontos para serem explodidos.

“Daniele é esposa de Marcelo e Francinalda esposa do André. Os presos ordenavam o que era pra ser feito e as duas gerenciavam as ações fora do presídio com a ajuda do adolescente e de outros homens que estão sendo investigados. Toda essa onda de terror criada na cidade, tinha como objetivo afrontar a polícia.  E se não fosse essa repressão mais ônibus seriam queimados”, disse o delegado.

A coletiva havia sido convocada para apresentar três presos e um adolescente apreendido durante a operação ‘Ignis’, deflagrada no último sábado (16), na zona leste da cidade, suspeitos de terem queimado um ônibus no bairro da Glória e tentado queimar outro no bairro do Jenipapo. Apesar da convocação à imprensa nenhum dos suspeitos foi apresentado, pois a demonstração foi impedida pelos advogados. Sobre o incêndio do coletivo no bairro do Pedregal, a polícia ainda não prendeu os suspeitos mas garantiu que eles já foram identificados.
 
 
Onda de boatos atrapalha o trabalho da polícia
 
Sobre o homicídio e a decapitação do preso dentro do Serrotão e outros crimes registrados na cidade, o delegado disse que os casos podem possuir relação entre as ordens de chefes de facções criminosas, mas destacou que ainda não há confirmação. Henry Fábio destacou que a onda de boatos nas redes sociais estão atrapalhando a polícia. “Cada crime ocorrido nesta cidade está sendo investigado com esforço, mas estamos tendo uma grande dificuldade quanto aos boatos que surgem nas redes sociais. Vários informes falsos de novos incêndios e arrastões. O grande problema é que mesmo se tratando de mentiras, nossas equipes perdem tempo pois toda infomação que nos chega precisa ser chegada”, acrescentou ele. 
 
Na coletiva de imprensa também estavam presentes o Delegado Geral da Polícia Civil da Paraíba Adjunto, Iasías Glauberto; o Delegado da Região Integrada de Segurança Pública de Campina Grande, Luciano Soares; e o Delegado Seccional de Campina Grande, Iasley Almeida, que elogiaram o trabalho integrado da operação entre as polícias Civil, Militar, Federal e ainda sistema penitenciário. De acordo com a Polícia Civil a operação que resultou na prisão e apreensão dos suspeitos de queimarem os ônibus na cidade recebeu o nome de Ígnis  em alusão a palavra Ignição, sendo relacionada aos ônibus.  


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