Policial

PC indicia rede de traficantes e ex-funcionários de presídios

Grupo criminoso é investigado por comandar uma rede de tráfico de drogas dentro de presídio de Patos.



Damião Lucena
Damião Lucena
Acusados deverão responder por tráfico e associação ao tráfico de drogas

Depois de meses de investigações, a Polícia Civil concluiu os dois inquéritos que apuram a suposta existência de uma ‘rede criminosa’ acusada de comandar o tráfico de drogas de dentro do presídio de Patos (O Cordão) e distribuir entorpecentes para cidades do Sertão da Paraíba e do Estado de Pernambuco.

No relatório final, elaborado pela polícia e encaminhado ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, foram indiciadas 31 pessoas suspeitas de participação no ‘esquema’.

Os acusados deverão responder por tráfico e associação ao tráfico de drogas e, em alguns casos, também irão responder pelo crime de tortura seguida de morte. É que cinco deles são apontados como responsáveis pela morte do preso Marcelo Mesquita de Oliveira, detido durante a operação ‘Laços de Sangue’ no ano passado e acusado de ser um dos líderes de uma das famílias envolvidas em uma ‘guerra’ no Sertão do Estado.

O ex-diretor do presídio de Patos, Estênio da Nóbrega Dantas, o ex-diretor da penitenciária de Catolé do Rocha, Denis Pereira Januário, e mais três agentes penitenciários são apontados pela polícia como os autores de uma sessão de tortura que resultou na morte de Marcelo Oliveira. Em seguida, os cinco teriam ateado fogo no corpo da vítima, para dificultar as investigações em torno do caso.

“Os cinco foram indiciados por tortura seguida de morte, mas também deverão responder por formação de quadrilha e fraude processual, já que eles modificaram a cena do crime, ao atear fogo na vítima. O restante foi indiciado por tráfico e associação ao tráfico, pela prática que participavam mesmo dentro do presídio”, relatou o delegado Hugo Lucena, um dos responsáveis pelas investigações.

Dos 31 acusados indiciados, oito foram presos durante a segunda fase da operação ‘Hidra’, deflagrada na semana passada e que resultou ainda na apreensão de três quilos de droga, aparelhos celulares, várias armas e munições.

“A operação no todo deu origem a dois inquéritos. Um que apurou a morte de Marcelo e outro a conduta ligada ao tráfico de drogas. No caso da droga, percebemos que, mesmo com as primeiras prisões, a articulação continuava, sendo necessária a realização de novas prisões, já em uma fase onde as investigações estavam praticamente finalizadas”, relatou Hugo Lucena.
 


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