Policial

Índios ameaçados de morte pedem proteção na Assembleia Legislativa

Sessão especial na AL discutiu a segurança dos índios Potiguaras no estado; caciques estão sendo ameaçados e assassinados.




A violência praticada contra os índios potiguaras tem sido recorrente este ano e 32 caciques de aldeias localizadas no Litoral Norte do Estado estariam recebendo constantes ameaças de morte e precisando ser escoltados por seguranças. Em sessão especial realizada ontem na Assembleia Legislativa, as lideranças indígenas relataram o clima de total insegurança que permeia as aldeias.

O cacique Sandro Gomes, líder geral do povo Potiguara, afirmou que os caciques mudam constantemente de aldeias por medo que as ameaças de morte se concretizem.

Já o cacique Aníbal Cordeiro, da aldeia Jagaraguá, relatou que já foi vítima de três tiros na cabeça e que teme a ação da polícia, que muitas vezes, segundo ele, estaria sendo coagida por criminosos.

“Muitos policiais fazem parte desse esquema criminoso, prova disso é que nós prestamos queixas das ameaças e no outro dia os bandidos estão sabendo. Nós vivemos em um área de conflito. É necessário que a polícia identifique quem são essas pessoas que nos ameaçam”, afirmou o cacique Aníbal.

O cacique ainda revelou que os bandidos chegam a ameaçar a polícia. “Eles já fizeram ligações dizendo que iriam roubar as armas da patrulha indígena. Que iriam matar toda minha família. O clima é terrível e precisamos ter força e coragem para resolver esse problema”, acrescentou.

Após a sessão, que foi presidida pelo deputado Trócolli Junior (PMDB), um documento será elaborado com todas as denúncias feitas pelos índios e será entregue ao Ministério Público Federal (MPF). O deputado demonstrou preocupação com as graves denúncias feitas pelo povo indígena.

Para o cacique Sandro, a problemática da violência contra os índios deverá ser resolvida com a implantação de ações específicas. “A gente espera que mais uma vez não fique só na conversa e que haja ações na prática, porque já chega de tanta violência. Esperamos êxito nessa sessão porque precisamos dar uma resposta ao nosso povo, desvendando o crime do cacique Geusivam, da aldeia Brejinho”, concluiu o cacique Sandro.

O cacique Geusivam Silva de Lima foi assassinado a tiros no dia 31 de julho.

O promotor da cidade de Rio Tinto, Raldeck de Oliveira, afirmou que apenas um minucioso trabalho de inteligência realizado pelas Polícias Federal, Militar e Civil poderá identificar os autores das ameaças feitas aos índios.

Apesar de ter sido convidado para a sessão, o secretário de Segurança e Defesa Social do Estado, Cláudio Lima, não compareceu e não enviou representantes. Na semana passada, indígenas realizaram um protesto em João Pessoa, com uma caminhada que terminou no Palácio da Redenção.


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