Policial

40 policiais estão sob suspeita de participar de grupos de extermínio

Secretário Gustavo Gominho investiga envolvimento desde soldados até coronéis em mais de 300 homicídios. Também foi descoberto esquema para incriminar corregedor geral.



Patrícia Serrano / Paraíba1
Patrícia Serrano / Paraíba1

Karoline Zilah

A Secretaria de Segurança Pública do Estado investiga a participação de 30 a 40 policiais militares em um grupo de extermínio que atuaria há pelo menos 10 anos em toda a Paraíba, tendo praticado cerca de 300 homicídios, além de crimes envolvendo o tráfico de drogas. Estariam também envolvidos policiais civis e agentes penitenciários.

A informação foi revelada nesta quarta-feira (6) em entrevista coletiva do secretário Gustavo Ferraz Gominho, afirmando ainda que apura o envolvimento desde soldados até coronéis da Polícia Militar no crime organizado. Ele disse ainda que o filho de um político famoso seria o chefe dos grupos de extermínio na Paraíba.

O secretário de Segurança declarou que ainda não pode revelar os nomes dos policiais supostamente envolvidos, mas adiantou que o inquérito já foi aberto e deverá ser encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se os acusados deverão ser afastados da corporação. O secretário permitiu que os acusados fossem fotografados para que a população faça novas denúncias relacionadas aos investigados.

Na terça-feira (5), durante a Operação Arcanjo, o Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil prendeu quatro homens acusados de execuções e assaltos, incluindo a ação ocorrida na madrugada da segunda-feira na churrascaria Sal & Brasa, no bairro do Bessa, na Capital. A quadrilha também é acusada de participar do grupo de extermínio investigado pela Secretaria de Segurança Pública. Os assaltos serviriam para financiar a compra de drogas e armas.

Em meio às sindicâncias para apurar as denúncias contra policiais militares, a Secretaria descobriu que o grupo detido na terça-feira armou um esquema para incriminar o corregedor geral Magnaldo Nicolau da Costa, que investiga a atuação dos PMs. De acordo com Gustavo Gominho, os criminosos e os policiais acusados teriam encomendado um carro igual ao do corregedor, um Golf de cor prata, ano 2008, com a mesma placa do veículo pertencente à Magnaldo.

O objetivo, segundo o secretário, seria utilizar o carro em assaltos e execuções para incriminar o corregedor, como forma de vingança. A padaria Pão e Massas, no Bessa, foi um dos alvos de arrastão. Com a armação, o corregedor sofria até risco de morte, uma vez que o Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop) tinha autorização para balear o carro identificado com aquela determinada placa.

Perfil dos homicídios em 2009

Gustavo Gominho ainda comunicou a avaliação que a Segurança Pública fez sobre o perfil dos homicídios cometidos em todo o Estado da Paraíba em 2009. Segundo ele, 95% das vítimas eram ex-presidiários que deviam dinheiro por drogas, enquanto 5% seriam vítimas de traficantes concorrentes.

Ameaças de morte

Na entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (6), Gustavo Gominho também revelou que tem sido alvo frequente de ameaças de morte. Ele disse ter recebido um telefonema na véspera de Ano Novo de alguém perguntando se ele queria "entrar o ano de 2010 vivo". Em seguida, teria chegado uma carta contendo ameaças à integridade de sua família. O endereço seria inexistente e o número de telefone não foi identificado.

Atualizada às 10h50.


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