Notícias

Especialista do HU, na PB, fala sobre relação da mucormicose com outras doenças

Os dois pacientes em investigação na Paraíba apresentavam diabetes e Covid-19.




Mucormicose

Fungo Mucor, um dos responsáveis pela mucormicose.
Foto: Reprodução/Getty Images via BBC

Dois casos suspeitos de mucormicose estão sendo analisados pela investigação epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde, na Paraíba. De acordo com a bioquímica com atuação em fungos, Neusa Maria, que atua no Hospital Universitário Lauro Wanderley, na UFPB, existe uma relação da mucormicose com outras doenças.

Os dois pacientes em investigação na Paraíba apresentavam diabetes e Covid-19. Segundo a especialista, em outros casos anteriores já foram encontradas as relações com a diabetes, não sendo, portanto, algo novo. A ligação com a Covid-19, no entanto, ainda é inicial e não é possível fazer nenhuma associação.

“O paciente com Covid é extremamente manipulado, adquire imunossupressão, uso prolongado de corticoide, antibiótico e a permanência dele em ambiente hospitalar UTI favorece a implantação desse fungo. Mas trata de um fenômeno novo, precisamos de bastante subsídio”, explica Neusa Maria.

Em outros casos já diagnosticados no HULW, em outros momentos, a mucormicose foi encontrada, principalmente, em pacientes queimados ou politraumatizados. A bioquímica explica que esse favorecimento da doença se dá devido a manifestação cutânea que se dá após a implantação do fungo da pele dessas pessoas que tiveram algum trauma. Outra situação já observada é a infecção por inalação de esporos, que se dá pelo trato respiratório.

Dessa forma, a especialista lembra que o contágio não acontece pelo contato entre pessoas. “Essa micose se implanta de forma oportunista. Nos casos, havia um fator que predispõe o aparecimento do fungo. Uma pessoa saudável dificilmente vai adquirir, porque não há um ambiente propício para que ele [o fungo] se desenvolva. É um fungo que está em qualquer parte, que é popularmente conhecido como bolor. Para que ele provoque a doença é preciso de fatores que predisponham”, explica a bioquímica Neusa Maria.

Os sintomas variam de acordo com a localização da infecção. Nos pulmões, pode haver tosse expectoração e falta de ar. Na face e nos olhos, pode ocorrer vermelhidão intensa e inchaço.

A suspeita dos casos na Paraíba já foi informada ao Ministério da Saúde e os dois estão sob investigação epidemiológica da SES.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.