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Brasileira em Israel relata tensão após intensificação de conflito com a Palestina

Laisa Ronconi mora próximo à Tel Aviv há quatro anos e presenciou ataques com mísseis pela primeira vez.




Ataque destrói prédio residencial em Gaza (Foto: Reprodução/G1)

Uma brasileira relatou os momentos de tensão que viveu na cidade de Givatayim, vizinha à Tel Aviv, capital financeira de Israel, após os ataques de forças ligadas ao Hamas na Faixa de Gaza na noite da terça-feira (11) e madrugada desta quarta-feira (12).

Laisa Ronconi é gerente de marketing digital de uma empresa de tecnologia. Ela nasceu em São Paulo e morou na Paraíba desde os 12 anos, até se mudar para Israel em 2017, quando foi fazer um programa de estágio e resolveu ficar no país após ser efetivada. Ela conta que nunca havia presenciado uma situação de conflito, uma vez que os ataques na região são mais raros pois Tel Aviv fica fisicamente mais distante da área de conflito entre Israel e Palestina. 

“Eu estava em casa quando as sirenes [de alerta de mísseis] começaram a tocar, por volta das 21h. Como eu não tenho quarto de segurança no meu apartamento, o recomendado é ir para as escadas ou descer para o abrigo do prédio, que fica no térreo. Logo que saímos de casa ouvimos os primeiros barulhos de explosões”, relata Laisa.

O conflito na região se intensificou esta semana depois do choque entre palestinos e a polícia de Israel na Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, na segunda-feira (10). Na terça, forças de Israel destruíram um prédio de 13 andares alegando que no local existia um ponto estratégico do Hamas, grupo que comanda a Faixa de Gaza. Porém, autoridades palestinas disseram que se tratava de um edifício residencial.

Segundo a agência RTP, 130 ataques aéreos israelenses atingiram o norte da Faixa de Gaza na terça-feira, matando pelo menos 13 integrantes do Hamas. Os palestinos teriam retaliado o ataque com cerca de 200 foguetes e, no total, mais de 20 pessoas morreram no conflito. A Organização das Nações Unidas demonstrou estar profundamente preocupada com a escalada da violência em Israel e nos territórios palestinos ocupados. 

Laisa Ronconi durante visita à cidade de Haifa, em Israel.

Laisa conta que não chegou a ver os mísseis, mas ouviu o barulho das explosões quando os mísseis palestinos foram destruídos pelo Iron Dome (Cúpula ou Domo de Ferro, em português), sistema de defesa antiaéreo de Israel que intercepta e destrói mísseis de curto alcance e bombas de artilharia cuja trajetória seja áreas povoadas. O sistema destrói os mísseis ainda no céu. 

“Foi muito estressante, eu fiquei sem reação, tremia muito. A cada novo estouro o prédio inteiro tremia e apesar de eu saber que era o sistema do Iron Dome funcionando, ainda assim era muito forte”, conta Laisa.

A brasileira disse que foram dois ataques que aconteceram, um por volta das 2h e outro às 3h. Os moradores do prédio em que ela mora não conseguiram dormir, pois o tempo inteiro precisavam sair de casa e ir para o abrigo.

“A gente foi para o abrigo por volta das 20h e voltamos para casa às 22h. Eu não consegui dormir e fiquei até 2h esperando alguma coisa antes de cochilar. Acordamos de repente às 3h, com as sirenes e então teve outro ataque que durou até umas 3h40. Depois disso, voltamos para casa às 4h, mas eu não consegui dormir mais”, disse.

Para Laisa, a manhã desta quarta-feira foi ainda mais tensa, apesar de não terem sido registrados novos ataques. 

“O dia inteiro foi tenso. Cada barulho que passa é um nervosismo diferente, desde uma moto que passa mais rápido ou uma sirene que toca. A sensação que fica é de impotência, de saber que não há nada que possa ser feito e apenas esperar pois a gente não sabe o que vai vir, não sabe se vai ter novos ataques nem quando. Enquanto isso, ficamos nesta tensão, com o coração acelerado. Todo mundo que conheço está apreensivo”, completa.


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