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Apenas 3,4% das pesquisas de produção de softwares têm mulheres como autoras, aponta IFPB

Políticas de inclusão podem solucionar a falta de produção científica feminina na área.




Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB) mostra que, apesar da presença massiva de mulheres no campo científico geral, apenas 3,4% dos programas de produção de software possuem exclusivamente mulheres como autoras.

O levantamento utilizou cerca de 6 mil registros de programas de computador, catalogados nos últimos três anos na Revista da Propriedade Industrial do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Conforme os dados, aproximadamente 26% dos trabalhos possuem alguma participação feminina.

No âmbito do IFPB, entre os anos de 2018 e 2020, 36 registros foram encontrados, nenhum deles de autoria exclusivamente feminina. No entanto, 42% dos registros possuem pelo menos uma mulher como autora

Uma alternativa que poderia resultar em maior participação de mulheres na pesquisa, para o professor José Ricardo Freire de Melo, que coordena o estudo, seria a adoção de medidas práticas para a inclusão de mulheres na tecnologia.

“A adoção de medidas assertivas para inclusão e permanência das mulheres em cursos da área de tecnologia da informação parece-nos a mais viável e exequível a curto prazo”, afirma.

O professor também reforça que a pesquisa reproduz uma realidade brasileira de sub-representação feminina em espaço nas ciências, na politica e em demais esferas da sociedade.

“Há um bloqueio invisível que impede que elas alcancem cargos de poder, resultando na permanência masculina nestas posições. Mas, a ciência é melhor quando existe uma diversidade”, comenta.

Yedda Alexandra, mestranda e membro da pesquisa, também reitera que há desigualdade de gênero no cenário da pesquisa, e que a questão é consequência de um problema social mais amplo.

“De forma geral, eu entendo que essa desigualdade de gênero, é uma consequência da sociedade patriarcal que ainda perdura.  E essa desigualdade reverbera em todas as áreas. Neste caso específico, acredito que esses números são um reflexo da baixa participação das mulheres nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, explicou a mestranda Yedda Prazeres.

A pesquisa faz parte da Chamada Interconecta IFPB – nº 20/2020. A fase da coleta de dados foi concluída, e análises estão sendo feitas para que o estudo seja publicado em formato de artigo científico.


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