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Ativistas temem novo massacre

Em 25 de maio, 108 pessoas morreram na cidade de Houla, em outro ataque atribuído pelos oposicionistas a forças do regime Assad.




Ativistas de oposição à ditadura de Bashar Al Assad na Síria disseram ontem que pelo menos 78 pessoas, entre elas 40 mulheres e crianças, foram mortas por milícias pró-governo e forças de segurança no vilarejo de Mazraat al Qabeer, na província de Hama (região central do país). Se confirmado, será o segundo massacre em território sírio em menos de duas semanas. Em 25 de maio, 108 pessoas morreram na cidade de Houla, em outro ataque atribuído pelos oposicionistas a forças do regime Assad.

A ditadura, que culpara "grupos terroristas" pelo massacre em Houla, não se pronunciou sobre os acontecimentos. O próprio total de mortos divulgado ontem pelos ativistas anti-Assad era incerto.

Para os Comitês de Coordenação Local, foram ao menos 78; o porta-voz de outro grupo, o Conselho Nacional Sírio, disse que podem ser mais de cem; e Rami Abdul-Rahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Londres), afirmou ter os nomes de 23 pessoas mortas.

Nos últimos dias, sempre segundo os grupos de oposição, as forças de Assad vinham bombardeando Mazraat al Qabeer e o vilarejo vizinho de Maazarif, ambos a cerca de 20 km de Hama, uma das maiores cidades sírias.

Epicentro da revolta contra a ditadura -que já dura 15 meses e, conforme estimativa da ONU, matou mais de 9.000 pessoas, Hama é a cidade onde em 1982 Hafez Assad, pai do atual ditador, esmagou uma rebelião deixando no mínimo 10 mil mortos.

ESFAQUEADOS
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos apontou semelhanças entre a ação de ontem e o massacre de Houla -nos dois casos, teria havido participação da "shabbiha", milícia pró-Assad.

Muitas das vítimas em Mazraat al Qabeer, segundo o relato do grupo, foram esfaqueadas até a morte, e ao menos 12 corpos foram queimados.

O recrudescimento da violência ocorre durante a visita de 300 observadores da ONU -no país para monitorar o plano de cessar-fogo proposto pelo ex-secretário-geral Kofi Annan- e um dia após a Síria prometer que vai permitir a entrada de equipes de ajuda humanitária.

Em comunicado, o Observatório exigiu que os monitores da ONU se desloquem para a área do novo massacre.

Em Pequim, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o dirigente chinês Hu Jintao voltaram a se posicionar, em nota conjunta, contra intervenção militar ou "mudança forçada de regime" na Síria.

Com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, russos e chineses têm sido até agora os principais obstáculos a medidas mais duras contra o regime de Assad.


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