Esportes

Com a bola parada por conta da pandemia, jogadores da PB relatam dificuldades financeiras e desemprego

Série ‘Futebol Paraibano na Pandemia’ começa mostrando a situação dos atletas.




Último jogo foi dia 18 de março (Foto: Expedito Madruga/Globoesporte.com)

O último grito de gol que ecoou em um estádio da Paraíba em 2020 foi ainda no dia 18 de março. Gol de empate do atacante Iarley, do Sousa, no jogo contra o Botafogo, no estádio Almeidão, em João Pessoa.. Nesta segunda-feira (27) completa 40 dias dessa pausa e a CBN João Pessoa começa a série ‘Futebol Paraibano na Pandemia’, que o JORNAL DA PARAÍBA também disponibiliza. Na primeira reportagem, a situação dos jogadores nesse período em que o mundo parou 

Quando houve a paralisação do Campeonato Paraibano, em março, os times jogaram sem a presença de torcedores nas arquibancadas. Já era uma iniciativa da Federação Paraibana de Futebol (FPF) frente à crise da saúde que se anunciava com a chegada do novo coronavírus cada vez mais perto. Só que nem todo mundo imaginava que aquele apito final representaria uma pausa tão longa e dramática para o futebol paraibano.

Vale lembrar que o futebol da Paraíba foi um dos últimos a paralisar as atividades. O futebol aqui tão fragilizado tentava respirar frente o inimigo invisível. Desde então, todos os atores envolvidos no futebol estão encarando uma realidade nova e dura.

O meia-atacante Birungueta que estava defendendo a Perilima, de Campina Grande, no campeonato estadual, resumiu a situação do jogador de futebol nesse contexto. “A gente foi muito afetado por essa pandemia porque clubes com os jogadores atuando não pagam e nós imaginamos sem estar atuando. Tem sido muito difícil pra nós, até mesmo porque grande parte dos jogadores ganha baixos salários e muitos não recebem em dia e ainda quando recebem em dia ganham pouco e muitas das vezes o contrato é curto”, disse o jogador.

Birungueta teve o.contrato com a Perilima encerrado (Foto: Ramon Smith/Divulgação)

A paralisação no meio da temporada expõe uma realidade dos clubes paraibanos. São times que dependem da presença dos torcedores nas arquibancadas pra fazer a roda financeira do negócio girar. Sem jogos, a principal fonte de receitas secou. O lateral esquerdo do Campinense, Matheus Camargo explicou que antes da pandemia os clubes já tinham dificuldade de manter os compromissos em dia, agora a situação ficou ainda mais complicada.

“A situação financeira é uma parte complicada pra todo mundo, tanto para o clube como para os atletas. Alguns clubes a gente sabe que já não tinham uma receita, uma fonte pra tirar o dinheiro para pagar os atletas e com essa pandemia ficou mais difícil ainda. A gente sabe que é  uma coisa que afetou o país inteiro, o mundo inteiro e que infelizmente não tem o que ser feito”, ponderou.

Uma crise que surpreende até os jogadores mais experientes, aqueles que já viveram de tudo no mundo do futebol, como é o caso meio-campo Dedé, que joga no Treze.

“A situação piorou porque sem o vírus já tava complicado, agora com esse vírus complicou geral. É um clube que não tem muita ajuda financeira de patrocínios e empresas, é uma equipe que vive da torcida, que vive de ganhar jogo e eu não sei como vai ficar daqui pra frente. Esperamos que volte logo”, declarou.

O Botafogo hoje é o clube do estado que tem a melhor estrutura financeira. É o que mais investe, porém consequentemente é o que mais gasta também, um complicador a mais sem a bola  rolando. O atacante Dico explicou que o clube está atuando como pode nesse momento de crise.

“Na questão financeira o Botafogo está tentando nos ajudar como pode, eu sei que esse vírus está prejudicando todo mundo. A gente entende a situação do clube e o clube entende a situação da gente que a gente não pode ficar sem receber. O clube pagou 75% como foi divulgado na imprensa. Graças a Deus o Botafogo sempre cumpriu com as suas obrigações e espero que o clube possa estar com a gente nessa situação”, ressaltou Dico.

Dico tem uma.situação mais confortável no Botafogo (Foto: Divulgação)

Jogadores passando necessidade 

O meia-atacante Birungueta rescindiu contrato com a Perilima, ficou sem emprego, mas disse que ainda tem uma reserva financeira para manter a família, mas falou a realidade dos amigos de profissão no estado. Segundo ele, jogadores estão passando necessidade.

“Eu penso por aquelas pessoas que não receberam, outros jogadores que estão desde o começo sem receber. Eu tenho ouvido relatos de jogadores que estão passando necessidade. A dificuldade tem se instalado muito nos jogadores”, disse.

A preço de agora ainda não existe uma definição de quando o Campeonato Paraibano vai retornar e se vai retornar. Enquanto isso, os jogadores seguem tentando encarar essa nova e confusa rotina. “A gente vai ter que esperar um pouco e logo vai voltar tudo ao normal se Deus quiser”,  declarou o confiante Dico.

(A segunda reportagem da série, na terça-feira, vai falar da situação dos clubes durante a crise)

 

 


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