Esportes

‘Clubes vão acabar’: dirigentes falam sobre crise no futebol da PB por conta da pandemia

Situação de clubes é foco da 2ª reportagem da série ‘Futebol Paraibano na Pandemia’.




Amigão (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

“Esses clubes intermediários da Paraíba estão fadados a se acabar. Toda história do futebol será extinta, porque nenhum clube vai conseguir suportar”. A fala é do presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, e alerta que os impactos da crise causada pelo novo coronavírus podem ser maiores do que se imagina no futebol da Paraíba. A situação dos clubes é o tema da segunda reportagem da série ‘Futebol Paraibano na Pandemia’.

A questão é que de uma forma geral, os clubes paraibanos, frequentam as divisões inferiores do futebol nacional, são clubes que não têm estrutura principalmente financeira para encarar com tranquilidade uma crise desse tamanho.

Aldeone Abrantes tem uma visão bem pessimista sobre o futuro (Foto: Hévila Wanderley/Globoesporte.com)

E por aqui, para sobreviver, os clubes precisam dos jogos, basta lembrar que quando o campeonato estadual termina, os clubes que não disputam o campeonato brasileiro fecham as portas à espera da próxima temporada. O apoio que vem das arquibancadas é o principal combustível para incentivar os jogadores e alimentar os cofres. Sem jogos há mais de quarenta dias por causa do novo coronavírus, os clubes definham. O presidente do Sousa disse que no mundo de incertezas não tem nem como fazer planos. E as dívidas vão se acumulando.

“Aqui nós estamos devendo o mês de março e o salário de carteira de abril. Recebemos R$ 10 mil da federação, colocamos em dia o FGTS dos atletas para que eles possam ter garantia do seguro desemprego. Então, nós não temos nenhuma esperança, nenhum plano para a gente apresentar para os atletas porque a gente não tem certeza de absolutamente nada. Nem certeza dos patrocinadores, nem certeza de quando começa o campeonato”, disse Abrantes.

O Treze é um dos três maiores clubes do estado, mas nem por isso a situação é tranquila. O time já vinha encontrando dificuldades para manter os compromissos em dia e quando a bola parou ficou ainda mais complicado. Hoje, 50% de todas as despesas do Galo da Borborema são pagas com o dinheiro das rendas dos jogos. Torcedores  e dirigentes se juntaram para pagar o salários dos funcionários. Já o elenco de jogadores ainda espera uma negociação.

“A nossa situação financeira de momento é apertada, como é em todos os segmentos que estão parados e no Treze não é diferente disso mas mesmo assim a gente tem feito de tudo para manter as nossas contas em ordem. Jogadores e funcionários, a gente tem trabalhado em conjunto com sócios-proprietários e conselheiros do clube para que a gente faça uma união pra manter pelo menos os funcionários da gente em dia. Até porque os atletas, os pagamentos foram efetuados e em sequência foram suspensos os pagamentos até que a gente possa retornar ao cenário de trabalho”, afirmou o presidente do Treze, Walter Cavalcante Júnior. 

Antes do campeonato ser suspenso, quem estava fazendo bonito dentro de campo era o Atlético de Cajazeiras. O trovão azul é o líder do grupo A, e não perdeu nenhum jogo sequer. A suspensão do campeonato quebrou a boa fase dentro de campo e complicou a vida financeira do clube fora das quatro linhas. Até aqui a diretoria do time sertanejo cumpriu com os compromissos com os jogadores e comissão técnica, só que daqui pra frente o nó vai apertar.

“Esses meses de março e abril o clube cumpriu o seu dever e pagou todos os atletas mas nós acreditamos que daqui pra frente vai ser difícil porque o clube não tem dinheiro, não tem patrocínio, não está tendo torcida, não está tendo nada então fica numa situação meio complicada sem saber o que vai acontecer”, destacou o técnico do Atlético, Ederson Araújo.

Botafogo, de Sérgio Meira, vive uma situação melhor (Foto: Vitor Oliveira/ Globoesporte.com

 

Botafogo tem ‘saúde’ financeira melhor

No estado, hoje o Botafogo é o clube que tem a melhor estrutura financeira. Por participar de competições nacionais como Copa do Brasil e Série C, e a Copa do Nordeste, que é uma competição regional, o clube recebe cotas e depende menos do dinheiro das rendas dos jogos. A venda de ingressos representa hoje 30% do faturamento, os outros 70% vem das cotas de participação nas competições, patrocínios e dinheiro da Timemania. Mesmo assim a diretoria teve que fazer acomodações nas despesas. Os atletas foram colocados de férias. Jogadores e os funcionários tiveram redução de salários.

“Tivemos que liberar todos os jogadores, eles estão treinando individualmente. Colocamos em férias para que a gente possa aproveitar esse momento parado pra regularizar as férias de todos os jogadores e funcionários.Tivemos uma redução se salários de 25% para todos os jogadores e uma redução de 15% para os funcionários. Aqueles funcionários que ganham até R$1.500 não houve nenhuma redução, por questões óbvias, mas nós negociamos. A princípio tivemos um pouco de resistência mas depois todos entenderam a necessidade dessa redução para manter os salários em dia”, explicou o presidente do Botafogo, Sérgio Meira.

No Campinense, a diretoria está se virando com o pouco recurso financeiro que tem para poder pagar o que pode. O clube está cortando despesas e inscrevendo jogadores e funcionários em programas de incentivo do governo para pagar parte dos salários.

“Nós estamos cortando custos de expediente, economia de água, de energia, estamos cortando na própria carne e vendo onde pode diminuir as despesas. Nós vamos dar entrada junto ao Governo Federal para que os jogadores e os funcionários fiquem recebendo o auxílio. Estamos também em negociação com os jogadores também pra ver essa questão”, disse o presidente do Campinense, Paulo Gervany.

 

Futuro de incerteza

 

Para ajudar os clubes, a CBF prestou  um socorro financeiro. Botafogo e Treze receberam da R$ 200 mil reais da confederação por estarem na Série C do Brasileiro. Campinense e Atlético receberam R$ 120 mil reais por estarem na série D. Esse dinheiro é o que está dando um respiro a esses clubes. Os outros 6 clubes do campeonato estadual receberam R$ 10 mil reais que foram repassados pela Federação Paraibana. de Futebol (FPF)

“Nós temos previsto para o próximo dia 5 pra pagar a folha dos funcionários e jogadores e a partir daí as dificuldades vão começar,. A gente não vai ter receitas certas e acredito que com o retorno do futebol a gente possa reequilibrar”, disse Sérgio Meira.

Já a previsão de Aldeone Abrantes, do Sousa, é muito mais pessimista.”Está extinto o futebol da Paraíba, pelo menos em grande parte. Vai sobreviver pelo menos 3 ou 4 clubes, o restante vai enrolar o material, a bandeira, a história, fechar a sua sede”.


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