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Brasileira e italiano dizem ter camisa de Pelé

Enquanto a peça da brasileira possui o número verde, a que pertence ao italiano tem o 10 na cor azul. As etiquetas também não são iguais.



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Do Globoesporte.com

Número verde ou azul? Eis a questão. Veja as principais diferenças entre as camisas: a cor do número 10 e a etiqueta da marca

As camisas de Dalva e Roberto têm diferenças significativas. Enquanto a peça da brasileira possui o número verde, a que pertence ao italiano tem o 10 na cor azul. As etiquetas também não são iguais. A que está no Brasil é da marca Ceppo. A ”italiana” estampa o nome Athleta. Além de detalhes diversos no escudo da CBD e na gola.

Em 29 de junho, o Brasil comemorou 50 anos do seu primeiro título mundial no futebol. O mês foi de festas e encontros dos campeões para relembrar a campanha na Suécia e receber homenagens. As recordações foram muitas. E uma lembrança palpável – e das mais importantes – da conquista repousa em um apartamento em frente à praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, protegida cuidadosamente por um lençol branco. A professora Dalva Lazaroni, ex-diretora da Casa França-Brasil (Centro do Rio), guarda a camisa que teria sido usada por Pelé no jogo contra o País de Gales, quando o Rei fez seu primeiro gol em Copas.

A peça, autografada por vários jogadores e integrantes da comissão técnica da seleção em 1958, foi adquirida por Dalva em um leilão realizado em março de 2002, no Rio. A camisa pertenceu a Irene de Azevedo Lima, funcionária da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, antecessora da CBF) na época do Mundial e teria sido dada a ela de presente pelo próprio Pelé, então com 17 anos (assista ao gol do Rei contra Gales no vídeo ao lado).

– Considero essa camisa um patrimônio nacional. É parte da História do país. Decidi entrar no leilão para evitar que ela saísse daqui, pois havia um grupo de europeus querendo. É algo que tem um valor emocional para nós brasileiros – diz a colecionadora, que pagou R$ 22.115 (sem contar taxas do leiloeiro) pelo item há seis anos.

– Esperava até que fosse um valor maior – admite Dalva, que também coleciona, ao lado do marido, quadros, desenhos, cédulas, rótulos de bebidas, miniaturas de carros, entre outros itens.

Italiano diz ter a mesma camisa do Rei

Dalva conta que esta é a primeira vez que revela publicamente ser a dona da camisa, já que participou do leilão sem ter revelado sua identidade (veja no vídeo ao lado). Porém, um outro colecionador também diz ter o uniforme usado por Pelé contra o País de Gales. Trata-se do italiano Roberto Cannavo, que colocou a camisa à venda em um site de leilões inglês. O lance inicial é de 25 mil libras (R$ 79 mil), mas ele diz que aceita ouvir propostas menores, desde que "sérias". Se um interessado aceitar desembolsar 37.500 libras (R$ 118,5 mil) leva a peça na hora. Até esta segunda-feira, ninguém havia dado lances no leilão, que termina no dia 10.

Procurado pela reportagem do GLOBOESPORTE.COM, Cannavo informou por e-mail que a camisa pertencia ao zagueiro galês Derek Sullivan, que a teria trocado com Pelé após a partida em Gotemburgo.

Com um currículo com mais de 800 elogios no site de leilões, Cannavo garante que a peça que colocou à venda é autêntica. Dalva tem a seu favor uma conversa pessoal com Pelé, que disse lembrar ter presenteado a ex-funcionária da CBD, e as lembranças de alguns campeões.

Reserva de Zagallo em 1958, Pepe reforça a "tese nacional". O ex-ponta do Santos guardou uma camisa da época. Com o número 22 verde às costas. O titular Zagallo também afirma que a camisa era realmente ‘verde (numeração) e amarela’. Filho de Gilmar, primeiro goleiro brasileiro campeão mundial, o economista Marcelo Neves revela que a camisa usada por seu pai na Copa era da marca Ceppo. Mas que os agasalhos tinham a marca Athleta.

Dalva Lazaroni não tem dúvidas que sua peça é original e admite cedê-la para exposições sobre o futebol brasileiro. Mas exige projetos sérios.

– Para evitar que aconteça com ela o que ocorreu com a Jules Rimet – afirma, citando a taça conquistada pela primeira vez pelos brasileiros exatamente em 1958 e que foi roubada da sede da CBF, no Centro do Rio, em 1983.


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