Economia e Negócios

Inflação vai desafiar criatividade dos paraibanos na montagem da ceia

A inflação dos produtos típicos de Natal é maior do que os 10,48% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor  Amplo (IPCA).



Herbert Clemente
Herbert Clemente

Este ano, mais do que nunca, o Natal vai significar união e partilha. Com a maior inflação dos últimos doze anos, a ceia vai pesar mais no orçamento já apertado das famílias. Para não deixar de celebrar, uma boa dica é reunir a turma toda e definir que cada um colabore com um prato diferente. Também vale fazer uma ‘vaquinha’ e deixar uma pessoa responsável pelo dinheiro para fazer as compras. “Só não vale entrar no ano novo endividado por causa de uma ceia de Natal ou Réveillon”, afirmou o consultor financeiro Erasmo Vieira.

A dona de casa Maria Zuleide Campos já comprou alguns dos ingredientes da ceia, mas pretende diminuir o número de convidados. “É muita gente e os itens subiram muito. Tudo ficou mais caro. É a inflação, então tem de reduzir os convidados para gastar menos. Este ano só vamos chamar os mais íntimos”, apontou.

Já a servidora pública aposentada Zélia Dantas afirmou que pretende reduzir a quantidade de peru. “Em vez de dois perus, este ano vai ter só um. Ainda estamos olhando os preços, mas já encontrei peru de quase R$ 200,00, peru de R$ 150, então vai ser só um. Tá difícil, mas a gente vai ver um jeito de fazer e todo mundo ficar feliz”.

INFLAÇÃO DE 16,12%

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a ceia deve ficar, em média,  16,12% mais cara este ano na comparação com 2014. A inflação dos produtos típicos de Natal é maior do que os 10,48% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor  Amplo (IPCA).

Ainda segundo a pesquisa da FGV, outros itens típicos também subiram acima da inflação, como o vinho (24,57%), o azeite (18,21%) e a maionese (15,18%). O preço do frango, por exemplo, principal ingrediente do salpicão, subiu 13,18% no período. A maçã, outro ingrediente da receita, subiu 19%.

Em João Pessoa, a comparação entre as pesquisas de preço do Procon realizadas no ano passado e este ano apontam aumento de 15% no peru temperado Sadia, passando de R$ 13,28 para 15,28 o quilograma. O produto da marca Perdigão subiu 8,74%, passando de R$ 12,58 para R$ 13,68, enquanto o quilograma do chester Perdigão subiu 17,10%, passando de R$ 12,28 para R$ 14,38.

O queijo do reino Jong subiu 16,51%, passando de R$ 59,99 para R$ 69,90 o quilograma.  Já o produto da marca Regina apresentou aumento bem menor, de R$ 57,00 para R$ 58,99 (3,49%). Os panettones e chocottones apresentaram menor variação e alguns chegaram até a ficar um pouco mais baratos. O produto da Bauducco por exemplo, era encontrado em 2014 por no mínimo R$ 11,98, e este ano é possível encontrar o item por R$ 11,88 em alguns supermercados.

Contudo, alguns itens mais tradicionais da ceia de Natal, como peru, bacalhau, nozes, damasco e vinho podem sofrer aumento ainda maior do que a média, por serem importados e sofrerem também os efeitos da alta do dólar.

Erasmo Vieira recomenda a substituição de itens importados pelos nacionais, mesmo que isso signifique uma mudança radical no cardápio. Segundo ele, não é necessário se apegar à fórmula tradicional com o peru no centro da mesa. “Pode ser porco, frango, o que importa é adequar ao orçamento”, opinou.

Além disso, planejamento também é essencial para evitar o desperdício de comida e de dinheiro. “Muitas vezes as pessoas querem ter uma abundância de comida e cometem excessos. Gastam mais do que deveriam e fica comida sobrando”, disse Erasmo.


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