Economia e Negócios

Impactos do coronavírus: varejo, moda e construção civil vão ser os segmentos mais afetados na Paraíba

No Estado, quase 8 a cada 10 pequenos empreendedores pertencem a segmentos mais vulneráveis.




COMPRAS LOJA COMÉRCIO (Foto: Junot Lacet Filho/Arquivo)

(Foto: Junot Lacet Filho/Arquivo Jornal da Paraíba)

Os segmentos do varejo tradicional, moda e construção civil estão entre os pequenos negócios que serão mais impactados pela crise provocada pela pandemia do coronavírus (Covid-19) na Paraíba. Conforme estudo elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 51% dos empreendimentos vulneráveis estão nessas atividades no estado, sendo 39.389 no varejo, 24.520 na moda e 23.284 na construção civil.

O estudo foi elaborado pela Unidade de Gestão Estratégica e Monitoramento da instituição e traz uma breve análise das expectativas de empresários e consumidores, além da identificação dos principais segmentos de pequenos negócios que serão afetados pela doença.

De acordo com o estudo, a pandemia preocupa pelos impactos de curto, médio e longo prazos que os pequenos negócios enfrentarão. “No curto prazo, o principal impacto é a retração das vendas pelo confinamento das pessoas de forma geral. No médio, é a lentidão da retomada da economia”, analisou a gerente da Unidade de Estratégia do Sebrae Paraíba, Ivani Costa.

No estado, quase 8 a cada 10 pequenos empreendedores (78,9%) pertencem a segmentos que são mais vulneráveis aos impactos da pandemia do coronavírus, totalizando 170.859 empreendimentos.

Quando cada porte é analisado separadamente, observa-se que o microempreendedor individual (MEI) será o mais impactado pela pandemia, já que 82% dos empreendedores pertencem a atividades mais vulneráveis à crise na Paraíba. Além disso, considerando os setores da economia, mais de 8 a cada 10 pequenos empreendedores que deverão ser mais afetados pela crise estão ligados aos setores do comércio ou serviços (85,7).

“De modo geral, toda a economia sofrerá com a crise. É preciso ter flexibilidade e planejamento para se preparar para os próximos meses. Negociação de prazos e preços com fornecedores, mudança de modelo de negócio para prestação de serviços a distância e a busca por crédito e qualificação podem ser caminhos para aguentar a tempestade e se preparar para a retomada da normalidade. O Sebrae Paraíba está aqui para ajudar o empreendedor e seu negócio neste momento”, frisou a gerente Ivani Costa.

Outros segmentos apontados pelo estudo que estão na lista de possíveis impactados pela crise da pandemia são serviços de alimentação, beleza, oficinas automotivas e saúde.

No Brasil

O estudo também aborda o impacto da Covid-19 nas lojas físicas no país, com base em informações do ELO. Por segmento, as drogarias e supermercados apresentaram aumento de faturamento no débito e no crédito, enquanto os demais setores tiveram uma queda considerável, na comparação entre os dias 13 e 23 de março e a média de faturamento dia a dia das semanas de 5 de janeiro a 22 de fevereiro deste ano. É possível observar que um dos segmentos mais impactados com a crise da pandemia do coronavírus é o de vestuário (queda de 91% no débito e de 82% no crédito).

Expectativas de empresários e consumidores

Os primeiros sinais do impacto da pandemia foram vistos no Índice de Confiança das Indústrias, que teve queda de 3,2 pontos, conforme o Boletim Macro da FVG IBRE. Outro resultado importante das sondagens de março do IBRE mostra que pelo menos 39,6% das empresas industriais já registram algum impacto na atividade nos primeiros 19 dias do mês atual; 30,5% no comércio e 27,0% em serviços.

Em síntese, os dados prévios de março sinalizam recuo forte na confiança, sob influência do surto de coronavírus e da política de isolamento, levando a uma paralisação de atividades econômicas. Para os próximos meses, o cenário deve ser de redução mais forte da confiança.


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