Economia e Negócios

Dólar segue cenário externo e sobe 4,98%, para R$ 2,23

Moeda segue mau humor dos principais mercados acionários. Intervenções do BC não impediram valorização.




Do G1

O dólar fechou em forte alta nesta terça-feira (21), apesar das intervenções do Banco Central, acompanhando o cenário externo em meio a mau humor dos principais mercados acionários e as pressões dos mercados dederivativos.

A moeda norte-americana saltou 4,98%, para R$ 2,2310. Frente a uma cesta com a principais divisas globais, o dólar subia 1,28%.

 

O Banco Central realizou nesta terça dois leilões de venda de dólares no mercado à vista, além de um leilão de swap cambial.

As atuações do BC para conter a alta do dólar, segundo o presidente Henrique Meirelles, já somaram US$ 22,8 bilhões desde o agravamento da crise externa – com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers em meados de setembro.

 

Tendência mundial

Segundo Luis Piason, gerente de operações de câmbio da corretora Concórdia, o mercado cambial nacional está seguindo os movimentos do dólar em todo mundo.

"Hoje a alta está exacerbada, mas está seguindo as moedas lá fora", disse ele, ressaltando que apesar dos EUA estarem no núcleo da crise, os investidores estão procurando os treasuries do governo, o que gera demanda por dólares. "E ainda tem uma pressão de saída", acrescentou, sobre o mercado local.

Apesar das intervenções da autoridade monetária, a cotação do dólar não respondeu e manteve a forte valorização. Para Piason, o BC precisa atuar de forma mais incisiva, com mais volume. "Até agora ele está enxugando gelo".

Segundo Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, as atuações do Banco Central no mercado cambial não estão afetando o dólar "pois a taxa (da moeda norte-americana) está sendo puxada artificialmente por especulação".

Nehme explica que os bancos autorizados a participar das medidas do BC não possuem interesse de fornecer linhas para os exportadores, gerando um empoçamento da liquidez.

"Os bancos estão retraídos com o setor exportador, pois existe uma nuvem cinzenta sobre ele", disse Nehme, lembrando que diversos exportadores divulgaram problemas com seus posicionamentos nos mercados futuros de dólar.
Nas últimas semanas, Sadia, Aracruz e o Grupo Votorantim anunciaram grandes perdas com apostas na manutenção do dólar em patamares baixos.

O diretor da NGO adverte ainda que o cenário só estará mais claro à medida em que os contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros expirarem.

"Esse mercado de câmbio futuro está prejudicando a inflação, está prejudicando empresas que têm passivos em dólar, fomentando a contração do crédito".

Na véspera, um ministro afirmou à Reuters que o Palácio do Planalto quer que o Banco Central exerça maior fiscalização sobre as operações de derivativos cambiais.


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