Economia e Negócios

Brasil precisa ampliar acesso à tecnologia

Conferência Brasil-Canadá 3.0 debateu necessidade de avanço tecnológico do país, como também o acesso a essas tecnologias.



Alberi Pontes
Alberi Pontes
Conferência debateu principais obstáculos das Tecnologias da Informação e Comunicação no Brasil e Canadá

A tecnologia no Brasil avançou nos últimos anos, mas é necessário que esse crescimento seja ainda maior, tendo em vista a velocidade do desenvolvimento tecnológico de potências como Estados Unidos e países europeus. Essa foi uma das conclusões da Conferência Internacional ‘Brasil Canadá 3.0’, que, com mais de 1.800 inscritos, debateu os principais obstáculos e oportunidades das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) entre Brasil e Canadá.

Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR), apresentados na ocasião, reafirmam a tese de que há muito a se evoluir no modelo de internet do país. Segundo relatório, enquanto 72% dos domicílios europeus estão conectados à internet, apenas 38% das casas brasileiras possuem o serviço. O país fica abaixo da média dos países do continente americano, que têm 50% dos domicílios ligados à rede, mas supera os Estados Árabes (26%) e da Ásia e Pacífico (25%). O continente africano cresceu cinco pontos em relação ao ano passado, mas mantêm-se inferior quando comparado com o resto do mundo (6%).

A divergência tecnológica do Brasil também é encontrada quando analisada a penetração das TICs entre as regiões do país. O relatório da CGI.BR mostra que enquanto a área urbana tem 51% de domicílios com computadores, a área rural tem apenas 16%.

Nos Estados, a penetração da internet é maior na região Sudeste, onde a tecnologia está presente em praticamente metade dos domicílios (49%). No Nordeste, a internet está em menos de um quarto dos domicílios (21%), o que representa a proporção mais baixa entre as regiões do país.

O gerente do Centro de Estudos Sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação (Cetic.BR), Alexandre Barbosa, afirmou que é preciso alterar a visão mercadológica das empresas em TIC. “A Região Metropolitana de São Paulo tem o mesmo patamar que países europeus, enquanto algumas cidades nordestinas não chegam nem perto disso. Não há interesse da iniciativa privada em investir em algumas regiões do Norte e Nordeste pela baixa diversidade populacional, é necessário tomar medidas para incentivar e potencializar as cidades inteligentes”, disse.

Apesar do acesso à internet ser um problema que preocupa os estudiosos em TICs do país, é preciso avançar diversos outros setores para se chegar ao modelo ideal de cidade inteligente, conforme defendeu Alexandre Barbosa. “O acesso ainda é baixo, mas é preciso pensar também no uso e apropriação efetiva dos recursos. É preciso preparar as pessoas para o acesso”, destacou.


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