Economia e Negócios

Atenção na hora de fazer compras é primordial para não entrar no vermelho

Especialista dá dicas para não cair nas armadilhas do comércio. Segundo ele, uso do cartão de crédito também deve ser moderado.



Kleide Teixeira
Kleide Teixeira
Sugestão de consultor de investimentos e finanças pessoais é não comprar produtos em atacado, uma vez que isso aumenta as chances de um consumo maior, afetando o orçamento

Uma das palavras preferidas de Severino Cruz, de 60 anos, é ‘economizar’. Tanto que isso fica evidente na rotina do aposentado, sempre atento às promoções dos supermercados de João Pessoa para conseguir comprar todos os produtos que a família precisa sem comprometer o orçamento doméstico.

“Para mim, até vinte centavos faz diferença, porque a gente vai comprando, colocando no carrinho e quando percebe, depois de somar os valores pequenos, dá para comprar muita coisa com o que gastou a mais”, fez questão de frisar.

Buscando fugir das armadilhas que os consumidores enfrentam, às vezes sem perceber, Severino desenvolveu ao longo dos anos alguns hábitos que o auxiliam na hora de encher o carrinho. Ele diz que não se deixa levar por propagandas na televisão nem por ofertas ‘tentadoras’.

“Frequento dois supermercados que considero mais baratos e em um deles, que também é atacado, compro algumas coisas em grande quantidade”, comentou, mencionando ainda que apesar de ser cliente fiel dos estabelecimentos nunca deixa de comparar os preços, tanto para as compras semanais quanto para as mensais. “Para o mês, eu compro o básico: arroz, feijão, macarrão, carne. Já para os finais de semana vêm as frutas, verduras. Só com isso, o cabra já gasta mais 50, 60 reais”.

Sobre a postura de Severino, o consultor de investimentos e finanças pessoais Cláudio Rocha revela que ir ao supermercado em várias ocasiões pode representar um problema na hora de evitar o ‘vermelho’. “Mesmo que você leve uma lista e seja focado, muitas vezes acaba indo além. E ir além uma vez é uma coisa, agora quatro vezes é outra”, ressaltou. “Fora isso, você tem que arranjar mais tempo e, se o estabelecimento for longe, vai gastar quatro vezes mais gasolina ou passagens de ônibus”.

O consultor sublinha, ainda, que o ideal é ir ao supermercado duas vezes ao mês e manter uma lista atualizada dos produtos que mais são consumidos pela família, visto que, conforme ele, os acréscimos do comércio são sutis e na maioria dos casos o consumidor não lembra quanto pagou na última vez.

Consultor alerta que ir ao supermercado apenas duas vezes ao mês é o indicado para não comprar além do necessário. (Foto: Kleide Teixeira)

Atacado é melhor?
Uma das principais dúvidas ao tratar de economia doméstica é o dilema que envolve a compra por varejo ou atacado. Em relação a isso, Cláudio Rocha explica que adquirir produtos em grande quantidade, visando a gastar menos, em geral, pode surtir efeito contrário. O especialista aponta que quase sempre o uso dos produtos comprados em atacado termina sendo maior pelos moradores da casa, pela disponibilidade e pela tentação de consumir mais.

Para ele, demais extravagâcias e ideias ‘mirabolantes’ na hora das compras também tendem a não ajudar. “Eu já vi senhoras, inclusive na televisão, que se reúnem para fazer feira coletiva e tentar pagar mais barato e penso: onde vão dividir, será que vão usar uma balança? Quem vai ficar com o pedaço melhor da carne ou com a verdura mais fresca? Esse é outro tipo de comportamento que não dá certo”, continuou.

Cartão: vilão ou mocinho?
Um pequeno pedaço de plástico que pode trazer grandes dores de cabeça. Sim, o cartão de crédito, visto como vilão para o orçamento da família, está sempre na mira do aposentado Severino Cruz. Por isso, ele revela que jamais se descuida e tem total controle do que gasta ao utilizar o item.

“Eu me controlo bastante e só compro aquilo que posso pagar, em no máximo duas parcelas. Se eu puder comprar em apenas uma, faço”, ressaltou, acrescentando que as dívidas são o seu calcanhar de Aquiles. “Sou uma daquelas pessoas que quando deve perde até o sono”.

Para o consultor Cláudio Rocha, o grande erro de quem faz uso de cartão de crédito de forma indiscriminada é somar o limite do cartão com a renda. “Vai chegar um ponto em que não vai dar para pagar a fatura toda. E já foi provado cientificamente que é só quando você coloca a mão no bolso para tirar dinheiro que você sente que está gastando de fato”, menciona. “Com a internet é a mesma coisa. Você marca um xis, aperta um botão e pronto. Esse tipo de coisa é problemático”.

Cláudio aconselha que o indicado é ter um limite compatível com a renda – algo em torno de, no máximo, um terço do que a pessoa ganha. Outra sugestão do profissional é tentar, assim como o aposentado Severino Cruz, comprar apenas aquilo que dá para ser pago em poucas vezes. “Também nunca empreste seu cartão para terceiros, porque é um risco muito grande”, finalizou.

Para comprar com o cartão de crédito é necessário controle e levar em consideração a renda da família. (Foto: Kleide Teixeira)


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