Cultura

Zélia faz tributo ao Nego Dito

Cantora Zélia Duncan lança o álbum ‘Tudo Esclarecido’ que tem apenas composições de Itamar Assumpção. 




Um ciclo se fecha da maneira mais saudável possível para Zélia Duncan. A cantora e compositora, que completou 30 anos de carreira em 2011, tinha três desejos para celebrar a data redonda de sua trajetória artística.

O primeiro era gravar um DVD ao vivo de seu disco Pelo Sabor do Gesto, missão que ela cumpriu no ano passado no Teatro Municipal de Niterói, sua cidade natal.

O segundo, fazer um espetáculo só com músicas de Luiz Tatit, Tô Tatiando, com o qual ela segue em cartaz.

E o terceiro, gravar um disco apenas com composições de Itamar Assumpção (1949-2003), Tudo Esclarecido (Warner, R$ 27,90 em média), que ela acaba de lançar.

O álbum, que conta com participações de Ney Matogrosso e Martinho da Vila, músicos como Marcelo Jeneci, Pedro Sá, Christiaan Oyens, Stephane Sanjuan, Thiago Silva e produção de Kassin, sairá nas versões CD normal, digipack e uma edição especial, com um livreto de 40 páginas.

E a homenagem a Itamar está longe de ser prestada por uma aventureira ou oportunista. Zélia, que conhece muito bem a obra do compositor e expoente da Vanguarda Paulista nos anos 1980, já havia gravado 11 temas do ‘Nego Dito’ ao longo de sua carreira.
Ao contrário do que possa parecer, com o título Tudo Esclarecido, a cantora fluminense nega a intenção de fazer deste disco um tributo didático ou cronológico.

"Foi tudo muito intuitivo. Quem ouvir o disco vai conhecer algo bem variado, a música grandiosa do Itamar. Eu amo esse cara, que eu vinha homenageando fazia tempo", diz.

"E ele era um compositor popular, por mais paradoxal que isso possa soar. O disco ficou alegre, no sentido de ter leveza", completa a cantora, falando sobre o alcance da música de Itamar, por mais que ele tenha ganhado rótulos de ‘maldito’ e de um compositor ‘difícil’.

Tudo Esclarecido tem 13 faixas, sendo sete regravações de temas pouco conhecidos de Itamar, além de seis inéditas. Uma delas é ‘Zélia Mãe Joana’, feita pelo ‘Nego Dito’ para a cantora, exaltando a relação de admiração que os dois sempre tiveram.

LEQUE DE VARIEDADES
"Eu já tinha esse material guardado, não precisei pedir, já tinha esse leque de variedades", diz Zélia.

O "leque de variedades" diz respeito à diversidade de gêneros que aparecem no disco.

Tem o samba rock funkeado ‘Cabelo duro’, o xote ‘Isso não vai ficar assim", as baladas ‘Mal menor’ e ‘Noite torta’.

Há também o samba ‘É de estarrecer’, entre outros estilos, como o forró ‘Vê se me esquece’, todos com a densidade das criações de Itamar, mas que soam extremamente pop e inteligíveis. (Da Folhapress)


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