Cultura

'Viva - a vida é uma festa': em novo filme da Disney, a morte é silenciada pela música

Novo filme da Disney/Pixar trata questões de vida, morte e a busca por identidade própria de maneira profunda e sensível.




RESENHA DA REDAÇÃOVIVA – A VIDA É UMA FESTA (EUA, 2017, 109 min.)
Direção: Lee Unkrich
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor
★★★★☆

 

A invasão do mundo dos vivos pelos mortos (e vice-versa) é tema comum na animação, presente em filmes como Paranorman, A noiva Cadáver e Festa no Céu. E é essa a premissa básica de Viva – a vida é uma festa (Coco, 2017), que estreia nos cinemas paraibanos nesta quinta-feira (7). Mas o novo filme da Disney/Pixar consegue ir além e trabalhar questões como cultura, vida, morte e a busca por identidade própria de maneira profunda ao mesmo tempo em que se mantém sensível e agradável para o público infantil.

Veja onde o filme está sendo exibido na Paraíba

O longa conta a história de Miguel (Anthony Gonzalez), um garoto de 12 anos que mora na cidade de Santa Cecilia, no México, e que sonha em ser um cantor. Na família de Miguel, entretanto, a música é proibida há várias gerações: o seu tataravô abandonou a mulher, Imelda (Alanna Ubach) e a filha, Coco (Ana Ofelia Murguía) para perseguir uma carreira musical de sucesso. Resta ao garoto, então, abdicar de seu sonho banido para se dedicar ao ofício de sapateiro, que virou tradição na família.

Não se conformando com seu futuro, Miguel decide escapar de casa no dia do tradicional feriado mexicano do Dia dos Mortos (ou Dia de Finados no Brasil) para se apresentar na feira de talentos da cidade. Ao roubar o violão do túmulo do seu famoso ídolo Ernesto de La Cruz (Benjamin Bratt) para poder se apresentar, entretanto, Miguel acaba abrindo um portal para o mundo dos mortos.

A busca do jovem por uma identidade própria e pelo direito de se expressar conduz o ritmo da trama, que é pontuada por personagens igualmente carismáticos e envolventes. O contexto familiar de Miguel ganha relevância na narrativa e é muito próximo do de milhões de jovens que precisam esconder da família quem verdadeiramente são: não é apenas a música do jovem que é silenciada, é sua própria voz.

É nessa jornada entre os mortos que Miguel descobre o prazer de viver e a importância da família. Não é à toa que o filme – com suas imagens grandiosas e cores vibrantes que renegam uma visão negativa e obscura da morte – emprega ao submundo uma vida cultural pululante – os mortos vão ao cinema, dançam, cantam e festejam. A expressão da arte torna vivos até os mortos e impede que eles sejam esquecidos.

Em Viva – a vida é uma festa, o fim do corpo físico é irrelevante: silenciar ou negar a si mesmo – essa é a verdadeira morte.

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