Cultura

'Tomb Raider - a origem' tem o suficiente para entreter

Para quem pretende apenas ver um filme de ação no estilo dos jogos clássicos de Lara Croft, longa vale o ingresso.




tomb raider - a origem

Alicia Vikander como Lara Croft em Tom Raider – a origem.

RESENHA DA REDAÇÃOTOMB RAIDER – A ORIGEM (EUA, REINO UNIDO, 2018, 118 min.)
Direção: Roar Uthaug
Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu
★★★☆☆

 

Lara Croft já se transformou em um nome canônico da cultura pop: seja através dos jogos de videogame ou da série de filmes estrelada por Angelina Jolie, a personagem se consolidou como uma figura capaz de reunir uma legião de fãs. Era grande, por isso, a expectativa em torno de Tomb Raider – a origem (Tomb Raider, 2018), filme que serve como um reboot para a franquia cinematográfica e que estreia nos cinemas da Paraíba nesta quinta-feira (15). Se o longa dirigido pelo norueguês Roar Uthaug consegue fazer jus à personagem – vai depender de como se encara o filme.

No início da história, Lara Croft (Alicia Vikander) é uma jovem como outra qualquer: tem um emprego ruim, as contas atrasadas e os estudos não lhe interessam muito. Só que o modesto estilo de vida é uma opção, já que Lara é herdeira de uma fortuna milionária deixada por seu falecido pai, o empresário e explorador Richard (Dominic West). Ao finalmente decidir assumir a herança do pai, a jovem rapidamente descobre um plano secreto de Richard, escondido em uma sala secreta, que contém um segredo que pode destruir a humanidade.

Nada de novo na trama de ameaça mundial que precisa ser interrompida: o que incomoda, no início de Tomb Raider, é a facilidade com que a personagem resolve as pistas deixadas pelo pai. Para o que devia ser, de fato, um segredo, Richard parece ter sido muito displicente ao deixar um quebra-cabeças tão fácil para a filha.

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Com a tarefa cumprida, Lara descobre que o pai pesquisava uma antiga imperadora japonesa, Himiko, uma tirana que utilizava magia negra para matar todos à sua volta só por diversão. Uma organização obscura conhecida como A Trindade (que, superficialmente abordada, transforma-se em um clichê à la Illuminati) estaria atrás da tumba perdida de Himiko para usá-la como uma espécie de arma de destruição em massa. Obviamente, cabe a Lara Croft impedi-los.

É a partir daí que o filme passa quase a emular um vídeo-game: uma série de pequenos eventos são impostos à protagonista e, como que passando por fases ou níveis de um jogo, Lara vai vencendo cada uma deles – recuperar sua mochila roubada, sobreviver na floresta, fugir de atiradores, etc.

tomb raider a origem

Lara e o pai em Tomb Raider – a origem: relação é bem construída, mas passado da personagem poderia ser melhor explorado.

É claro que ninguém vai ao cinema esperando que Lara Croft morra ou algo do tipo, mas essa divisão episódica da narrativa dá a impressão de que tudo já estava prévia e confortavelmente pronto, apenas esperando a heroína entrar em cena para resolver o problema. Nesse sentido, o filme não traz nada de novo e pode desapontar os fãs que buscavam uma história mais criativa ou inspirada. Como primeira parte de uma pretendida franquia, Tomb Raider – a origem falha em entregar um mistério verdadeiramente empolgante e estabelecer um plano de fundo concreto para sua personagem principal.

Apesar disso, o filme tem seus momentos de sucesso, e é decididamente divertido. Alicia Vikander não deve nada a Jolie e encarna Croft com segurança e conforto. A relação de Lara com o pai é bem construída, e um momento particular entre os dois preenche a cota emotiva da história. As cenas de ação são empolgantes, apesar de beirarem o inverossímil (ou justamente por causa disso). O vilão, Mathias (Walton Goggins) não é lá essas coisas, mas suscita raiva o suficiente com seus assassinatos cotidianos, e tem motivações que até convencem. É interessante notar, ainda, que Vikander não é objetificada em momento algum, o que representa um avanço no tratamento da personagem (é impossível não lembrar da figura quadrada de Croft usando um short curtíssimo no jogo para PlayStation 1).

Como um blockbuster que busca reviver a essência de Lara Croft e divertir o público em busca de escapismo alimentado por pipoca, Tomb Raider – a origem prova ser bastante eficiente, com atuações convincentes, efeitos visuais impecáveis e muita ação falaciosa. Já para uma obra que pretende ser o capítulo inicial de uma narrativa maior, há muito o que questionar, como o roteiro batido e a abordagem superficial da protagonista. Cabe, como sempre, ao espectador decidir.


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