Cultura

Solha comemora 70 anos em grande estilo

Artista comemora nova idade hoje e amanhã no Espaço Cultural José Lins do Rego.



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Se não dispensasse apresentações, por sua obra de imensurável envergadura, o nome de W. J. Solha viria obrigatoriamente acompanhado de pelo menos um parágrafo incluindo ofícios como o da poesia, à qual atualmente se dedica depois que Arkáditch (Ideia, 2011), livro lançado na surdina, esgotou-se assim que a notícia do lançamento correu à boca pequena.

“Quando terminar um longo poema em que estou trabalhando, é possível que eu saia por aí procurando algo melhor para fazer”, diz Solha, pouco antes das comemorações de seus 70 anos, celebrados nas noites de hoje e amanhã no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa.

Dita diante de uma arte aclamada por sua polivalência, a frase de Solha pode soar como deboche, mas quem o conhece sabe: a criatividade do paulista de Sorocaba, radicado na Paraíba desde 1962, é fruto de uma história de empenho e abdicação que começou em uma terra de fortes: Pombal, no Sertão, onde trabalhou como subgerente bancário.

“Cheguei lá esperando aquele estereótipo de miséria mas o que encontrei foi uma elite pensante que foi um deflagrador estupendo para minha cultura”, conta Solha. “Me dediquei tanto à criação que houve um tempo em que dormia apenas três horas por noite e cheguei a propor um acordo com o banco para não fazer hora de almoço e aproveitar este tempo criando”, revela.

Segundo Solha, foi nesta época que “devorou” as obras de Shakespeare, Dostóievski, Tolstói, Hemingway, José Américo de Almeida, José Lins do Rego e Jorge Amado. Também por ali conheceu o premiado escritor José Bezerra Filho, com quem produziu O Salário da Morte (1970), primeiro longa-metragem de ficção paraibano em película, dirigido por Linduarte Noronha.

A trajetória de pioneirismo não parou por aí. E é parte dela que vai ser cantada hoje e amanhã, às 20h, em concerto gratuito no Cine Bangüê, e contada amanhã, às 18h, em bate-papo com o público no Auditório Verde.

Cantata Bruta, concerto que traz dois solistas, dois atores, orquestra e coro regidos pelo maestro e compositor Eli-Eri Moura, registra os passos de uma carreira que caminha ao lado da música desde que conheceu José Alberto Kaplan, com quem compôs a primeira cantata em língua portuguesa: a Cantata para Alagamar (1979).

Discípulo de Kaplan, Eli-Eri Moura também trabalhou ao lado do homenageado em Dulcineia e Trancoso, a primeira ópera de cunho armorial, considerada uma obra-prima por Ariano Suassuna.

Entre as atividades, o traço artístico de Solha é apresentado na mostra O Tempo Não Para, no hall do Bangüê.


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