Cultura

Os tantos Moacir Santos

Após seis dias de programação, Mimo chega ao fim neste sábado (8) com apresentação do ‘Projeto Coisa Fina’.




Em ‘Samba da Bênção’, Vinícius de Moraes canta os muitos músicos que havia em Moacir Santos: "Moacir Santos / tu que não és um só, és tantos / como este meu Brasil de todos os santos".

Pegando carona nos versos do ‘poetinha’, o Projeto Coisa Fina homenageia o Ouro Negro na última noite da Mimo em João Pessoa, na Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, às 20h.

A Mostra Internacional de Música em Olinda termina amanhã em Pernambuco, após seis dias de programação que incluiu também o Estado de Minas Gerais no roteiro.

A celebração na capital paraibana vem a calhar: Moacir Santos esteve em João Pessoa em 1945, quando deixou seu primeiro emprego na Rádio Clube do Recife e passou a tocar na banda da Polícia Militar e na Rádio Tabajara, como clarinetista.

Só três anos mais tarde iria se mudar para o Rio de Janeiro, onde se firmaria na Rádio Nacional como tenorista da Orquestra do Maestro Chiquinho.

"Levar a música de Moacir Santos para o Nordeste é levá-la para sua terra natal", afirma o saxofonista Daniel Nogueira, um dos membros fundadores do Coisa Fina. "O pessoal daí parece que tem uma facilidade maior de assimilar o repertório dele".

Tocando o maestro pernambucano há sete anos, Daniel Nogueira e seus companheiros de big band não pretendem abandonar suas notas tão cedo das pautas musicais: "Estamos gravando um CD em homenagem a maestros brasileiros e Moacir é presença garantida".

Na apresentação de hoje à noite, os músicos preparam um verdadeiro percurso pela trajetória do menino que saiu do sertão de São José do Belmonte (onde aprendeu a manejar os primeiros instrumentos de percussão e sopro) e foi parar, já maduro, nos EUA, onde foi mestre de Sérgio Mendes e colaborou com trilhas sonoras em Hollywood (há quem diga que o tema de ‘Missão Impossível’ é de sua autoria).

"Apesar de ser rotulado geralmente como saxofonista, ele era um viciado em música e tocava de tudo", aponta Daniel Nogueira.

"Não é nada fácil executar a sua música. Exige muita incorporação, muita vivência, muito estudo".

Estudo ao qual o próprio Moacir se dedicava com tenacidade: chegou a ter cinco professores de música diferentes ao mesmo tempo. O resultado: a beleza. "Foi difícil escolher um repertório em meio a peças tão belas", resume Nogueira.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.