Cultura

Opinião: Juliette Freire simboliza no BBB os valores inegociáveis da mulher paraibana

Vítima de preconceitos dentro do programa, paraibana segue fiel a princípios que acredita.




Juliette Freire no BBB21 (Foto: Reprodução/Instagram)

Um convite a você, que não conhece a Paraíba. Quando todos nós estivermos vacinados, visite uma cidade do interior de nosso estado. Se quiser, me chama, vou contigo. Conheceremos as Marias, as Severinas, as Fátimas, as Juliettes. Mulheres aguerridas que vivem, resistem, sonham, transformam suas próprias vidas com a força do trabalho.

Não tardará, você identificará três valores que são inegociáveis para elas: o desejo por acolher, o orgulho por sua terra, o peso da palavra.

O acolhimento é a regra.

“Entre, meu filho, a casa é sua”. Servem café preto, um prato de cuscuz com ovo, bolo fofo, um pouco de água vinda de filtro de barro. Não importa o quão pobre é a pessoa, o quão simples é a casa. Tem sempre um convite. Um sorriso. Um pedido mais por um aprochego. Puxar a cadeira, sentar-se, embalar mais um dedo de prosa.

A terra é a identidade.

É a certeza de onde se vem, é a segurança de saber para onde voltar se nada mais der certo, é a representatividade do sotaque, o prazer de se reconhecer entre seus pares. A terra é o sagrado. É a fonte de alimento. Senso de coletividade.

A palavra é a lei.

Ela basta. Define o que é certo. Vou levar você a uma quitanda de interior, dessas que leva o nome do dono e que vende de tudo. Não há cartão de crédito, promissória, fiador. O olhar, o nome, a filiação, o aperto de mão resolvem. Leva-se o produto, paga-se quando puder. Mas paga. Inevitavelmente. A palavra é honrada.

E se falo tudo isso, é porque quero falar de Juliette Freire, de BBB, de violências, de resistência.

É muito triste o que muitos ali fazem.

Repudiam o seu acolher, criticam a sua nordestinidade, riem de seu sotaque, duvidam de sua palavra. Transformam mentiras contra ela em verdades inalienáveis. Colocam em suspeição seus gestos mais puros. Desqualificam seus argumentos ao dizerem à boca pequena que nada do que ela fala e faz é verdadeiro.

Silenciam-na.

Ou, ao menos, tentam. Sim, tentativas vãs, não mais do que isso.

Porque, amigo querido, alguns valores são inegociáveis, lembra?

Nem todo o ódio do mundo é capaz de abalar a vontade de acolher, a consciência de sua origem, o senso de justiça de mulheres como Juliette.


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