Cultura

Obra póstuma de Umberto Eco será lançada ainda esta semana

‘Pape Satàn Aleppe’ analisa com bom humor  a identidade do Papa Francisco. Livro será lançado sexta-feira, na Itália.




Pape Satàn Aleppe é o título do livro póstumo do escritor italiano Umberto Eco, que morreu na última sexta-feira em Milão, aos 84 anos.

O batismo da obra vem da frase de abertura do Canto 7 do Inferno, de Dante Alighieri, cujo significado é incerto. Para Eco, a expressão é “suficientemente ‘líquida’ para caracterizar a confusão de nosso tempo”, de acordo com o resumo do livro assinado pelo próprio autor. Na Itália, a publicação será lançada na próxima sexta-feira pela La Nave di Teseo. Aqui no Brasil, a editora Record – que lançou grande parte da obra de Eco, inclusive as mais recentes – ainda não tem previsão de uma versão brasileira.

Pape Satàn Aleppe é um ensaio que compila textos do italiano publicados desde 2000 no semanário L’Espresso. “Entre as várias partes do livro, algumas das quais são pura comédia, Eco analisa a identidade do papa Francisco. Ele tinha um grande respeito pelo papa”, adiantou ao jornal La Reppulica o curador editorial de Eco, Mario Andreose.

A cerimônia fúnebre laica de Umberto Eco acontecerá nesta terça-feira, às 15h (horário local, final da manhã no Brasil), no Castelo Sforzesco, em Milão. O local abriga um museu com obras de Da Vinci e Michelangelo.

ERUDITO E DA MASSA

“Umberto Eco era um intelectual de natureza plural, na medida que interveio em várias áreas, inclusive na linguagem”, definiu o professor universitário, crítico literário e escritor Hildeberto Barbosa Filho. “Ele deixa obras fundamentais nessa área na estética medieval”.

O também escritor e professor universitário Rinaldo de Fernandes destaca também o lado ensaísta de Eco. “Ele foi um grande teórico na área de comunicação, mas também surpreendeu o mundo como  romancista”.

Tanto Rinaldo de Fernandes quanto Hildeberto Barbosa apontam o ficcionista de Umberto Eco caracterizado nas dimensões eruditas e também na cultura de massa. “Como um intérprete de signos e da linguagem erudita, ele também soube assimilar tanto as referências da academia quanto as da sociedade”, analisou Hidelberto. “Eco não era apocalíptico, mas também não era integrado”, referindo-se a uma das principais obras do semiótico italiano.

Além do rico legado “fecundo”, Hidelberto Barbosa Filho frisou que Umberto Eco era um grande defensor da “memória vegetal”, o livro como a mídia impressa.


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