Cultura

'O Touro Ferdinando' é belo e necessário, mas entrega só metade do que poderia

Longa do brasileiro Carlos Saldanha traz mensagem de aceitação e respeito.




Crítica O Touro Ferdinando

‘O Touro Ferdinando’, longa-metragem do brasileiro Carlos Saldanha

RESENHA DA REDAÇÃOO TOURO FERDINANDO (EUA, 2017, 108 min.)
Direção: Carlos Saldanha
Elenco: John Cena, Kate McKinnon, Anthony Anderson, Bobby Cannavale, Peyton Manning
★★★☆☆

 

A história não é nova: o livro sobre o touro Ferdinando, escrito por Munro Leaf, foi publicado pela primeira vez em 1936. Dois anos depois, Walt Disney adaptou o conto infantil em um curta que lhe rendeu o Oscar. E, nesta quinta-feira (11), chega aos cinemas de João Pessoa, Campina Grande e de toda a Paraíba O Touro Ferdinando (2017), animação dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha.

A fábula conta a saga de um touro (John Cena) que, ao invés de treinar com os outros bovinos para lutar nas touradas da cidade de Madri, na Espanha, prefere cuidar de flores e de outros animais menores. Enquanto os seus colegas são violentos e ferozes, Ferdinando é a personificação do improvável – um touro manso, delicado e amoroso.

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Nesse aspecto, a animação de Saldanha permanece fiel ao espírito do livro e do curta no qual se baseia, recriando o universo de Ferdinando de forma sensível e visualmente bela – em termos gráficos, a animação não deixa nada a desejar aos últimos esforços da Pixar como, por exemplo, Viva – a vida é uma festa (2017).

Além disso, é impossível não se afeiçoar à figura de uma tonelada que se comporta como um pequeno cão dócil; e a mensagem de que é tudo bem ser quem você é, não importa o contexto no qual esteja inserido, é extremamente bem-vinda para o público infantil (e adulto) numa época em que discussões sobre bullying, machismo e a necessidade de resistir estão em voga.

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Entretanto, o filme peca ao expandir a história de Ferdinando. As personagens que o roteiro traz para sustentar as quase duas horas de filme, embora sejam carismáticas e guardem grande potencial, têm como função única sustentar a jornada do protagonista. Os touros Valente (Bobby Cannavale) e Guapo (Payton Manning); o trio de porco espinhos que ajuda Ferdinando; a cabra Lupe (Kate MacKinnon): são todos secundários no sentido literal do termo e, convertidos em meros acessórios, carecem de profundidade e vida própria. Saldanha desperdiça aqui a chance de alcançar o que conseguiu em A Era do Gelo 2 (2006), com seu elenco de personagens redondos e memoráveis.

Com sua mensagem de tolerância e aceitação, O Touro Ferdinando é importante – e, de quebra, sem dúvida vai divertir o público infantil. Mas um pouco mais de atenção aos detalhes não faria mal algum.


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