Cultura

'O destino de uma nação': Gary Oldman brilha ao viver figura histórica de Churchill

Filme cobre as decisões políticas que definiram a posição do Reino Unido na Segunda Guerra Mundial.




o destino de uma nação crítica

Gary Oldman em O destino de uma nação: ator é o favorito para vencer o Oscar em sua categoria.

RESENHA DA REDAÇÃOO DESTINO DE UMA NAÇÃO (Reino Unido, 2017, 125 min.)
Direção: Joe Wright
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Stephen Dillane
★★★☆☆

 

Gary Oldman é o grande sucesso de O destino de uma nação (Darkest hour, 2017), filme dirigido por Joe Wright (Orgulho e preconceito, Desejo e reparação) que concorre ao prêmio de Melhor Filme no Oscar 2018. Para um filme que se propõe a cobrir as manobras políticas que definiram a posição do Reino Unido na Segunda Guerra Mundial, ter um protagonista que se destaca tanto relação aos outros aspectos da obra pode ser, entretanto, um problema.

O roteiro escrito por Anthony McCarten (A teoria de tudo) cobre o turbulento período de maio de 1940, quando o recém-eleito Primeiro Ministro Winston Churchill (Oldman) enfrenta oposição política em sua determinação de seguir em guerra contra a Alemanha nazista, mesmo que a derrota seja iminente.

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Churchill é um político que tem dificuldades em ser levado a sério: seja por sua postura e dicção particulares, por seus fracassos durante a Primeira Guerra Mundial ou por suas convicções ideológicas, tanto a Coroa quanto a maior parte do Parlamento britânico acreditam que o Primeiro Ministro não tem competência para guiar o Reino Unido durante tempos tão turbulentos. As decisões do ministro – como a de sacrificar 4 mil soldados britânicos na tentativa de salvar outros milhares acuados na cidade de Dunquerque (evento retratado em outro longa que concorre na categoria Melhor Filme do Oscar, Dunkirk) – são constantemente criticadas e questionadas.

É nesse contexto que Gary Oldman brilha: irreconhecível sob camadas de maquiagem que levavam até quatro horas para serem finalizadas em cada dia de gravação, o ator encarna Churchill com uma fidedignidade impressionante – basta assistir a qualquer vídeo do controverso Primeiro Ministro para comprovar o minucioso trabalho do ator. É surpreendente, também, a entrega que ele dispensa ao papel, que resulta em uma figura tragicômica, igualmente ridícula e respeitável, vacilante e determinada.

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Cena de O destino de uma nação.

Wright e o talentoso diretor de fotografia Bruno Delbonnel aliam a interpretação de Oldman à uma abordagem que reforça tanto as fraquezas e ansiedades quanto as virtudes de Churchill: o Primeiro Ministro é geralmente enquadrado em espaços apertados e estreitos, como elevadores e salas que lembram corredores; e visto através de janelas pequenas e pesadas portas.  (Merece destaque um dos poucos momentos em que o filme desvia, ainda que não completamente, sua atenção do protagonista para mostrar os horrores da guerra: um campo bombardeado transforma-se no rosto de um soldado morto, com os olhos iluminados pela luz do rádio que transmite o discurso do ministro para a nação). Ao mesmo tempo em que destaca o crescente isolamento de Churchill, O destino de uma nação constrói a imagem de um mito que, contra tudo e todos, levou o país a uma heroica resistência.

Nesse aspecto, o filme força um pouco a barra e romantiza a imagem do político como um homem que resguardou a glória inglesa praticamente sozinho, só posteriormente conquistando o apoio do povo – fato retratado em uma cena (totalmente ficcional) em que o protagonista decide usar o metrô pela primeira vez e questiona a população acerca de seus sentimentos sobre a guerra.

Ainda que não se proponha a ser uma cinebiografia, O destino de uma nação volta seus olhos apenas para o Primeiro Ministro, deixando completamente de lado personagens como sua mulher, Clementine (Kristin Scott Thomas), e a secretária Elizabeth Layton (Lily James) – que até parecia que ia desfrutar de algum destaque no início do filme. Embora seja compreensível o enfoque na figura de Churchill (considerando ainda a atuação de Oldman), um olhar mais atento e profundo ao contexto e às outras peças que levaram o Reino Unido a resistir às forças alemãs resultaria em um filme menos dependente da atuação de seu protagonista.

Confira as resenhas dos outros filmes que concorrem na categoria Melhor Filme no Oscar 2018:


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