Cultura

Nando Reis fala sobre seu novo CD, ‘Voz e Violão-No Recreio’

Músico conversa com o Jornal da Paraíba sobre seu novo disco, que reúne composições dos Titãs, da carreira solo e feitas para outros artistas.




Nando Reis encostou por uns instantes a guitarra elétrica e desplugou os instrumentos para o primeiro álbum protagonizado apenas por ele e seu violão. “Faz muito sentido eu ter lançado um disco nesse formato. Esse processo voz e violão é o que dá início a todo trabalho de composição”, conta ao JORNAL DA PARAÍBA.

Três anos após o lançamento do Sei, Voz e Violão – No Recreio Volume 1 apresenta 14 faixas de Nando, entre composições feitas nos anos dos Titãs, em sua carreira solo ou para outros artistas. “O disco apresenta minhas músicas em sua maneira mais essencial”. 

Fora dos Titãs desde 2001, há mais de 20 anos Nando Reis segue carreira com o grupo Os Infernais. São 12 discos lançados e, apesar de parecer natural, essa é a primeira vez em que o cantor e compositor grava um álbum com apenas ele e um violão no palco. A vontade de fazer um projeto assim sempre existiu, segundo o cantor. “Eu gosto de dosar uma coisa e outra. Sempre gostei de fazer show acústico quando tinha oportunidade. É algo bem distinto do espírito das apresentações com Os Infernais”.

A gravação ao vivo aconteceu num teatro lotado, com os 3.700 assentos ocupados e que surpreendeu até o próprio Nando. “No começo do ano fui convidado pelo Citibank Hall, em São Paulo, pra fazer o show. É uma casa muito grande. Eu nem sabia se funcionaria lá. A coisa foi indo bem e logo os ingressos esgotaram. Percebi que um show desses merecia registro. Então, gravamos”.

O músico revela que vai seguir de maneira usual o conceito de criar trabalhos paralelos. “O sentido é lançar discos assim, esparsos, sem regularidade”, comenta Nando, justificando que desconhece quando vai gravar um volume 2. Ele apenas adianta que uma versão em vinil do volume inaugural chegará às lojas em 2016.

O álbum é lançado pelo selo Relicário, recentemente criado por Nando Reis. “O mercado mudou muito. Esse aspecto indie, de dirigir e masterizar por conta própria, é algo que eu não imaginava acontecer e agora me parece ser a melhor maneira de se lançar material”, disse. O artista adiantou que a ideia do selo é lançar “coisas que dizem a respeito de obras, como livros, e não apenas discos autorais”.
Esta não foi a primeira vez em que ele gravou um disco fora de grandes selos: o álbum de inéditas mais recente, Sei, também foi lançado de forma independente.

Desde 2012, Nando Reis tem feito turnês frequentes com o agitado Os Infernais. “Agora vou diminuir o ritmo pra me dedicar a alguns shows voz e violão e terminar o meu novo disco”. O trabalho deve chegar às lojas em 2016, e – de antemão – o artista revela que será totalmente autoral e composto de inéditas. O álbum já está em processo de gravação e contará com participações especiais, dentre elas a de Samuel Rosa, com quem já trabalhou em músicas como ‘Sutilmente’, ‘Ali’ e ‘Resposta’.

Assim como essa parceria com o vocalista do Skank, Nando Reis tem uma extensa lista de composições que impulsionaram outros artistas ao estrelato, como ‘O segundo sol’, interpretada por Cássia Eller, e ‘Do seu lado’, conhecida na voz de Rogério Flausino com a banda Jota Quest.

“A inspiração é fundamental para o processo de composição, embora para buscá-la é preciso uma disposição interna despertada”, analisa. “A transpiração sempre terá que existir. É importante que todos os compositores saibam e vivam isso”.


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