Cultura

Marta Suplicy toma posse do MinC

Senadora Marta Suplicy  assume o Ministério da Cultura; posse da petista na pasta está marcada para esta quinta-feira (13).




O desgaste não vinha de agora. Depois de séries de críticas e crises, incluindo vaias acaloradas em festival de cinema, a ministra da Cultura Ana de Hollanda, irmã de Chico Buarque, deixou o cargo na terça-feira passada, em audiência no Palácio do Planalto. Ela estava no cargo desde o início da gestão da presidente Dilma Rousseff, em janeiro de 2011.

A presidente da República convidou para ocupar a pasta a senadora Marta Suplicy (PT-SP) no lugar da artista e compositora. A posse está marcada para as 11h desta quinta-feira.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota manifestando confiança à senadora paulista, afirmando que ela dará continuidade às políticas públicas e aos projetos que estão transformando a área da cultura nos últimos anos. A nota diz ainda que a presidente agradeceu ao “empenho e os relevantes serviços prestados ao país” por Ana de Hollanda.

Marta Suplicy já foi prefeita de São Paulo, deputada federal e também ministra. No governo Lula, chefiou a pasta do Turismo entre 2007 e 2008, enfrentando problemas como o do chamado ‘apagão aéreo’ nos aeroportos do país, quando disse a famosa frase “relaxa e goza” para os brasileiros.

Ela negou ter sido indicada para o Ministério da Cultura (MinC) devido à sua participação na campanha de Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura paulistana. Contrariada por ter sido preterida na disputa pela candidatura, a nova ministra vinha se negando a participar de eventos públicos em favor de Haddad até a semana passada.

CHICO PARA O MINC
"Marta é uma grande gestora", define o secretário de Estado da Cultura Chico César. "O que vem é uma gestão com vigor de ação, uma característica particular de Suplicy."

O secretário espera que a nova ministra dê continuidade ao que estava sendo colhido desde a passagem de Gilberto Gil e Juca Ferreira na pasta. "Que prossigam questões como o Plano Nacional de Economia Criativa e o Sistema Nacional de Cultura."

Apesar de Marta Suplicy ter comandado uma cidade complexa como São Paulo, Chico observa que ela terá que ver muito além da metrópole paulistana. "Com Gil, a Cultura deixou de ser apenas ‘arte’, ‘espetáculo’ e o eixo Rio-SP para ser um ‘Brasil vivo’", aponta. "Mas ela é muito rápida para saber o funcionamento da máquina. Teremos um novo momento pela frente."

Sobre manifestações em redes sociais na internet sobre eleger o paraibano para a pasta do MinC, Chico César fica lisonjeado: "É um estímulo a mais para continuar secretário de Cultura da Paraíba."

PRAGMATISMO
“A entrada da Marta foi repentina, mas vem num momento importante, pois o movimento social da cultura há um bom tempo demonstrava forte descontentamento com a gestão da Ana de Hollanda”, comenta Alexandre Santos, produtor cultural de projetos como o ‘Noite Sonoras’. “No entanto, é essencial que haja sensibilidade da nova gestora de reconhecer diversos processos já em curso”, frisa, exemplificando a já citada Economia Criativa e o fortalecimento do Programa Cultura Viva.

Para Márcio Marciano, do Coletivo de Teatro Alfenim, a expectativa da nova ministra é positiva. “Quando foi prefeita de São Paulo, a sua gestão foi muito produtiva e atuante”, enfatiza, destacando os espetáculos ocupando os espaços públicos e os Centros Educacionais Unificados (CEUs), além da criação da Lei de Fomento ao Teatro, que concede financiamento a trupes, levando peças para a periferia da cidade.

"Gostaria de externar certa satisfação, diria mesmo alívio com a mudança anunciada, mas reivindicada desde o ano passado", desabafa Lúcio Vilar, diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). "Descarta-se uma porta fechada e abre-se uma janela com amplas possibilidades, tendo em vista o pragmatismo da Marta, já provado como prefeita em várias ações culturais na capital paulistana."

O cineasta Torquato Joel espera com prudência as novas perspectivas do MinC. “Acho que temos que aguardar.

Certamente o trâmite que ela tem no congresso pode facilitar muito, mas é preciso saber que política vai ser construída para a Cultura. Até o momento, sinto muitas saudades da gestão de Gil no ministério”, lamenta.

O diretor paraibano achou péssima a gestão de Ana de Hollanda à frente da pasta. “Muitos avanços aconteceram com Gil e Juca como, por exemplo, a descentralização, a minimização da política de balcão, editais, etc. Com Ana me parece claramente que houve retrocesso de tudo isso”, aponta Joel.

Alexandre Santos tem a mesma opinião do cineasta. “O mais importante é manter a centralidade e o investimento em políticas culturais transformadoras, como fizeram Juca e Gil”, afirma o produtor cultural paraibano. “O desafio de Marta é não cair em contradições. A imprensa nacional declara que sua nomeação vem como resposta ao seu engajamento na campanha de Haddad. Neste momento, a Cultura necessita de medidas enérgicas, para que se preencham diversas lacunas deixadas pela ex-ministra.”


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