Cultura

Juliette é espelho de uma mãe forte e batalhadora: "Ensinei a ela a trabalhar", diz Dona Fátima

Mãe da participante do BBB21 acredita que a filha vai sair da casa do Big Brother Brasil como campeã.




Reprodução/Rede Globo

Juliette é como um cacto. Característico do Nordeste, simboliza resistência, força e adaptação. Ela é a personificação do Nordeste. Mais ainda, é a força da mulher paraibana. Mas tudo isso que ela carrega, essa força que exala pelo sotaque carregado de beleza e personalidade, vem de uma outra mulher – também forte, também única: Fátima Freire ou só Dona Fátima. Foi pelas mãos e palavras dela que Juliette aprendeu a ler e a escrever. Não há dúvidas que a Juliette que hoje todo o Brasil conhece foi moldada pelas batalhas do dia a dia e pela inspiração que a mãe se transformou. 

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Desde o início do Big Brother Brasil 2021, a paraibana Juliette tem sido pauta quase diariamente. Infelizmente, tudo começou com xenofobia. E, acolhedor como o Nordeste é, Juliette foi abraçada fora da casa do BBB. Lá dentro, no entanto, ainda há quem não entenda o jeito da mulher que precisou se impor para ser cada dia mais forte. Para Dona Fátima, a determinação da filha é motivo de orgulho para a família. “Eu me sinto muito orgulhosa, porque ela morou muito tempo numa comunidade que ensinou muito a ela sobre a vida. Muito orgulhosa”, declarou. 

Se o público que nem é da família de Juliette sentiu-se completamente atingido por palavras e gestos preconceituosos que foram proferidos contra a paraibana, a mãe sofreu ainda mais. “Eu me sentia muito mal, porque eu via as pessoas machucando muito ela. Mas foi bom porque ela soube se dar bem com essas pessoas. Graças a Deus ela já saiu disso, essa etapa já passou, de ela ser humilhada. Agora é só cantar e viver”, diz Dona Fátima.

Juliette cresceu aprendendo sempre a trabalhar. Sempre que queria algo melhor, a mãe respondia: “minha filha, vai ter que trabalhar”. E ela não se intimidou, simplesmente foi. 

“Ensinei a ela a trabalhar, a ganhar dinheiro para comprar as coisas dela, para ela se tornar a pessoa que é hoje. Mãe tem que fazer isso, botar seus filhos pra fazer alguma coisa, se ocupar. Eu criava minha filha à vontade, mas eu botava para ocupar a mente. Ela mesmo ocupava a mente em alguma coisa, num violão, qualquer coisa. Quando não tinha nada pra fazer, eu dizia para ela se juntar com as crianças pra brincar de bola, de pipa. Só não deixava ela muito tempo em casa, sentada num canto só. Menino tem que gastar sua energia”, declara.

Ainda não é possível saber até onde vai o alcance de Juliette, já que ainda tem mais de dois meses de programa pela frente (Foto: Reprodução/Instagram)

A família nunca teve dinheiro sobrando, mas sempre teve força para o trabalho. Quando Juliette era criança e morava com a família na comunidade do Pedregal, em Campina Grande, Dona Fátima trabalhava em um salão de beleza. “Os irmãos mais velhos dela eu criei no cuscuz, por isso que ela chora quando fala no cuscuz, é pensando nos irmãos”, revela a mãe, lembrando do episódio em que, dentro da casa do BBB21, Juliette se emocionou ao receber a farinha de milho para o prato típico nordestino. 

Ser forte, para Juliette, é uma consequência da vida. As dores que possa ter sofrido no BBB diante da negativa de muitos participantes com a sua origem e o seu jeito marcante de agir são fortes, de fato. Mas ela já precisou superar dores maiores.

“A dificuldade grande foi quando eu perdi minha menina, Julienne. Foi muito difícil”, conta. Julienne era irmã de Juliette e teve um AVC ainda na adolescência. Quando aconteceu, Dona Fátima estava trabalhando. Recebeu a notícia e não sabia nem que doença era essa. “Quando falaram num AVC eu nem me liguei, porque Julienne era uma menina muito saudável, brincava, tudo direitinho. Eu passei muita dificuldade, sem condição pra fazer os exames, que eram caros”, revela.

Com Juliette não foi diferente. As duas eram uma só. O que Julienne fazia, contava a Juliette. E vice-versa. Eram uma só pessoa. Quando a irmã morreu, Juliette chegou a perder 14 quilos. “Sofreu muito, ainda hoje ela sofre, porque quando fala em Eninha [apelido de Julienne] ela já… a tristeza dela já chega no peito”, desabafa Dona Fátima. 

Juliette Freire em foto nas redes sociais: trabalho mais profissional quando descobriram a dimensão da coisa toda (Foto: Reprodução/Instagram)

Talvez a partida da irmã tenha deixado Juliette ainda mais apegada à mãe. Não é difícil ver cenas do BBB21 em que a paraibana pede para a mãe se cuidar, ficar em casa, se proteger da Covid-19. Inclusive, a última vez em que mãe e filha se falaram, Juliette foi precisa: “Mainha, eu te amo. Te cuida, mainha, olha o corona”, lembra Dona Fátima.

Agora é fácil dizer que Juliette é uma das favoritas a ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais. A internet já a abraçou, o Nordeste também já decidiu, e Dona Fátima não tem nenhuma dúvida. “Eu tenho fé que ela vai trazer esse um milhão e meio pra gente aqui. Ela vai trazer, porque ela já estudou, trabalhou, ela fez tudo isso sonhando um dia entrar nesse programa. Ela foi preparada, um milhão e meio é dela. Ela é a patroa”, brinca.

Juliette ensinou mãe a ler e escrever

Em uma ação em homenagem ao Dia da Mulher, Juliette se emocionou muito ao ouvir a descrição da mãe narrada por Thelma Assis, vencedora do BBB20, que relembrou a luta dela para criar a filha e seus irmãos. Em entrevista a Fátima Bernardes, Dona Fátima explicou o significado da mensagem.

“Eu sabia um pouquinho ler e escrever. Mas tive um AVC e fiquei igual uma criança. Desaprendi, mas Juliette disse: ‘mainha, vou lhe ensinar a ler e escrever porque a senhora esqueceu tudo’. Ela explicou e eu fui aprendendo. Quando ela quer, ela vai atrás”, finaliza dona Fátima.


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