Cultura

Gerações querem publicar no Kindle

Lançado pela Amazon, Kindle Direct Publishing é aposta até  de escritores tradicionais.




Site em português e Kindle a R$ 300,00 não são as duas únicas propostas da gigante Amazon.com no Brasil.

Semana passada, a companhia divulgou uma notícia que muito interessa a autores e editoras independentes: eles já podem disponibilizar seus livros na Loja Kindle Brasil por meio do Kindle Direct Publishing (KDP, www.kdp.amazon.com.br).

O KDP é um site em língua portuguesa que torna e-books disponíveis no Brasil e em 175 países do mundo com preços estipulados pelos próprios autores que recebem o pagamento de royalties em real e em percentuais entre 35% a 70%.

"É uma alternativa muito boa porque no mercado convencional a maior parte do percentual de vendas vai para o livreiro e quem menos recebe é o escritor", opina o escritor Roberto Denser, integrante do Núcleo Caixa Baixa.

"Com esse programa, desaparece a figura do livreiro como intermediário e a venda é feita diretamente na internet. Você pode não apenas vender o seu livro mais barato como tirar um lucro muito maior", diz ele.

Denser, cujo livro de contos, A Orquestra dos Corações Solitários, está sob análise de algumas editoras, afirma que pretende utilizar a ferramenta, que já é popular nos EUA, sendo responsável pela fama, por exemplo, de fenômenos como o Cinquenta Tons de Cinza, de E L James.

"Quando gostam do livro, os leitores que compram fazem uma resenha que acaba dando um destaque à obra. Como leitor, eu, por exemplo, me identifico muito mais com as resenhas dos leitores que da crítica especializada", reflete o jovem escritor.

ENTRE OS VETERANOS
A opção também parece tentadora para autores mais maduros e de carreira mais consolidada no mercado editorial paraibano, como Wills Leal.

O pesquisador, que assina Quando o Cinema Morava na Filosofia, título digital lançado em 2010, inicia um projeto pessoal de disponibilizar toda a sua obra na internet a partir do próximo ano, ação que Wills articula com uma empresa pernambucana.

"Pessoalmente, me eduquei na cultura oral e na cultura gráfica, mas hoje já leio pela internet porque, se você tiver calma para procurar, encontra de tudo por lá, de jornais às obras completas de Graciliano Ramos e Machado de Assis", garante Wills Leal.

Segundo ele, iniciativas como a do KDP vão colaborar para diminuir o custo de circulação da literatura. "Livro impresso, além de ser caro, vende muito pouco. O livro digital é uma alternativa porque tem um resultado econômico muito bom, é fácil pagar o trabalho intelectual".

Wills Leal destaca ainda a possibilidade de se publicar em gêneros que não são comumente aceitos pelas editoras, como poesia: "A quantidade de poesia que tem hoje no universo digital é uma coisa quase alarmante", ironiza. "A internet é um universo sem limites".

O objeto livro, porém, continua com lugar cativo na estante mesmo dos mais jovens: "Eu gosto muito do papel e confesso que tinha até uma certa resistência quanto ao digital", reconhece Roberto Denser, que aposta, portanto, em uma alternativa não excludente: "Algumas editoras oferecem a possibilidade de você pedir uma versão impressa do seu livro também. A convergência já está acontecendo".


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