Cultura

Fest Aruanda 2019 celebra centenário do cinema paraibano e homenageia pioneiros

Evento acontece entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro em um shopping de João Pessoa.




Em 2019, o Aruanda instituiu o troféu Walfredo Rodriguez para homenagear nomes que colaboraram com o cinema paraibano (Foto: Arquivo)

A edição 2019 do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro vai lembrar o centenário do cinema paraibano e prestar homenagens a alguns dos pioneiros da sétima arte no estado. O evento, que está na 14ª edição, foi lançado nesta quinta-feira (13) e vai acontecer entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro. O festival também dará maior espaço aos filmes feitos na Paraíba, com a criação de um nova mostra de curtas-metragens só com produções paraibanas. A organização divulgou a programação de quase todas as mostras competitivas.

O marco do centenário do cinema paraibano são as primeiras atividade cinematográficas realizadas, em 1919, pelo cineasta Walfredo Rodriguez. Com isso, o Fest Aruanda pretende não apenas cultuar o diretor que iniciou a trajetória da Sétima Arte no estado, mas contribuir para que o legado dele seja cada vez mais reconhecido. “A edição 2019 do festival tem como principal homenageado o próprio cinema paraibano, cuja história está intrinsecamente ligada à de Walfredo Rodriguez, de quem queremos falar muito, a partir de agora”, diz o coordenador e diretor executivo do Fest Aruanda, o professor Lúcio Vilar.

O cineasta Walfredo Rodriguez passa também a ser nome de um troféu no Aruanda a partir de 2019. A honraria vai ser entre as personalidades que contribuíram para a história do cinema paraibano. Os primeiros a receber vão ser dois nomes que, assim como Rodriguez, são pioneiros: José Bezerra e W. J. Solha. Os dois são responsáveis pela produção de ‘O salário da morte’ (1972), primeiro longa-metragem de ficção rodado na Paraíba que teve a direção de Linduarte Noronha. “Eles assumiram os riscos de fazer um longa de ficção nos anos anos 70, eles queriam fazer um polo de cinema naquela época. É um filme todo gravado na Paraíba, em Pombal, e é um filme injustiçado pela crítica. Esse é um momento justo de fazer esse reconhecimento”, destacou Vilar, na coletiva de lançamento.

Ingrid Trigueiro é uma das homenageadas do evento (Foto: Arquivo)

Os demais homenageados do evento serão o cineasta João Batista de Andrade, diretor do clássico ‘O Homem que Virou Suco’; o ator e cantor Flávio Bauraqui; a atriz paraibana Ingrid Trigueiro, protagonista do filme ‘Rebento’, que está colecionando prêmios em festivais por todo mundo, e também parte do elenco de ‘Bacurau’; e o cineasta Marcus Vilar.

O festival também vai entregar uma homenagem póstuma ao músico paraibano Sivuca. O reconhecimento vai ser por uma faceta pouco conhecido dele: a de composição de trilhas cinematográficas. Ele fez trilhas para filmes de Roberto Farias, longas dos Trapalhões e de outros. O longa que vai encerrar o festival, ‘O Barato de Iacanga’, tem imagens de Sivuca. O filme de Thiago Mattar conta a história do Festival de Águas Claras, conhecido como o Woodstock Brasileiro.

Mais cinema paraibano

Uma das novidades da edição de 2019 do Aruanda é a criação de uma mostra competitiva de curtas paraibanos. A ideia surgiu da curadoria da mostra de curtas nacionais, por conta da excelência dos filmes feitos no estado que se inscreveram para a disputa. “A curadoria ficou impressionada com o nível dos curtas”, afirmou Lúcio Vilar.

Na disputa dos longas, três paraibanos vão participar da Mostra Sob o Céu Nordestino. Entre eles está ‘Giocondo Dias, Ilustre Clandestino’, de Vladimir Carvalho. O filme de um dos principais diretores do cinema paraibano ainda não foi finalizado, mas estará pronto no dia do festival.

Os outros dois longas da Paraíba são ‘O que os olhos não veem’, de Vania Perazzo; e ‘Jackson – Na batida do pandeiro’, de Marcus Vilar e Cacá Teixeira.

“Desde o ano passado a gente tem uma singularidade, que foi a exibição dos seis longas [paraibanos] na edição passada, que foi caracterizada como ‘Primavera do Cinema Paraibano’. Essa Primavera não cessou ainda. Temos mais longas paraibanos exibidos no festival e além disso temos curtas, uma produção de curtas de qualidade excepcional”, enfatizou Vilar.

A programação do Aruanda ainda não está 100% fechada. Ainda não estão definidos, por exemplo, os filmes da mostra competitiva de longas nacionais e o longa que vai abrir o evento.

Como nos últimos, o festival vai acontecer no Cinepólis do Manaíra Shopping, em João Pessoa. A programação é gratuita e o público precisa chegar uma hora antes das exibições para ter acesso aos ingressos.

Veja os filmes e vídeos que vão integrar as mostras

Mostra Competitiva de Curtas-metragens Paraibanos

“Seiva”, de Ramon Batista – Ficção (Nazarezinho)
“Bolha”, de Odécio Antônio e Taciano Valério – Ficção (João Pessoa)
“Faixa de Gaza”, de Lúcio César Fernandes – Ficção (João Pessoa)
“DNA-M Deus não acredita em máquinas”, de Ely Marques – Ficção (João Pessoa)
“Fim”, de Anna Diniz – Ficção (João Pessoa)
“Costureiras”, de Mailsa Passos, Rita Ribes e Virgínia de O. Silva – Documentário (João Pessoa, Coremas, São João do Cariri e Rio de Janeiro)
“Quitéria”, de Tiago A. Neves – Ficção (Campina Grande)
“Brasil, Cuba”, de Bertrand Lira e Arturo de la Garza – Documentário (João Pessoa)
“No Oco do Tempo”, de Antonio Fargoni – Ficção (Cabeceiras)

Mostra Competitiva Nacional

“Um Café e Quatro Segundos” de Cristiano Requião- Ficção- São Paulo/SP
“Um Grande Amor de Um Lobo” de Kennel Rogis é Adrianderson Barbosa – Documentário- São Miguel do Gostoso/RN
“Gravidade” de Amir Admoni- Animação- São Paulo/SP
“Nadir” de Fábio Rogério – Documentário – Aracaju/SE
“De Longe Ninguém Vê o Presidente” de Rená Tardin – Documentário – Rio de Janeiro/RJ
“Nervo” de Pedro Jorge e Sabrina Maróstica – São Paulo/SP
“Balão Azul” de Alice Gomes – Ficção – Rio de Janeiro/RJ
“Um” de Daniel Kfouri e João Castellano – Documentário – São Paulo/SP
“Travelling Adiante” de Lúcio Branco – Documentário – Rio de Janeiro/RJ
“Nuvem Negra” de Flávio Andrade – Ficção – Petrolina/PE
“Apenas o Que Você Precisa Saber Sobre Saber Sobre Mim” de Maria Augusta V. Nunes – Florianópolis/SC
“Quitéria” de Tiago A. Neves – Ficção – Campina Grande/PB
“Brasil-Cuba” de Bertrand Lira e Arturo de la Garza – Documentário – João Pessoa/PB
“No Oco do Tempo” de Antonio Fargoni – Ficção – Cabaceiras/PB

Mostra Sob o Céu Nordestino

“Currais”, de David Aguiar e Sabina Colares (CE)
“Jackson – Na batida do pandeiro”, de Marcus Vilar/Cacá Teixeira (PB)
“O que os olhos não veem”, de Vania Perazzo (PB)
“Giocondo Dias, Ilustre Clandestino”, de Vladimir Carvalho (DF)
“Frei Damião, o santo do Nordeste”, de Debby Brennand (PE)
“Soldados da borracha”, de Wolney Oliveira (CE)

Programa de TV (Mostra de TVs Universitárias)

“Diálogos na USP” – Thales Figueiredo (TV USP, São Paulo, 2019, 59’)
“Desafios” – Luiz Roberto Serrano (TV USP, São Paulo, 2019, 29’)
“Mackenzie em Movimento” – Marcelo Dias (TV Mackenzie, São Paulo, 2019, 9’)
“TVT Entrevista 2019 – Crime Organizado” – Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 16’)
“TVT Entrevista 2019 – Estatuto do Desarmamento” – Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 18’)

Interprograma

“Mitos da Universidade Pública”, de Thales Figueiredo (TV USP, São Paulo, 2019, 1’)
“Simplifica!”, de Luiza Caires (TV USP, São Paulo, 2019, 5’)
“Drops do Conhecimento, de Brigadeiro” – Rafaela Pelozi (TV Mackenzie, São Paulo, 2018, 2’)
“Vênus Hip Hop”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 4’)
“Direitos Humanos”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 3’)

Reportagem

“Bruxas Paulistas no Brasil Colonial”, de Tabita Said (TV USP, São Paulo, 2019, 14’)
“Morte de Jovens Negros na Periferia”, de Tabita Said (TV USP, São Paulo, 2019, 11’)
“Alfabetização Pescadores”, de Adèle Oliveira (TVU RN, Natal-RN, 2018, 7’)
“Violência X Games”, de Laura Quadros (TV Mackenzie, São Paulo, 2018, 7’)
“Stalkers”, de Adriana Chiaradia (TV Mackenzie, São Paulo, 2019, 6’)
“Abandono Animais”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 3’)
“Abelhas Agronegócio”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 4’)

Documentário

“Ecos de 1968: 50 anos depois”, de Marcello Rollemberg (TV USP, São Paulo, 2019, 73’)
“Executivos negros”, de Thales Figueiredo (TV USP, São Paulo, 2019, 12’)
“Sobre Nós”, de Isabella Souza, Marcella Dal Sasso, Jéssica Gonçalves e Lais Joazeiro (TV Unifran, Franca-SP, 2018, 25’)
“Estrelas da noite”, de Carine Fiúza (TV UFPB, João Pessoa, 2018, 12’)
“A casa de Jajja”, de Adriana Chiaradia (TV Mackenzie, São Paulo, 2019, 6’)
“Origem das crises”, de Marcelo Dias (TV Mackenzie, São Paulo, 2019, 9’)
“Andrômaca”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 12’)
“Ossos do Ofício”, de Flávia Martelli (TV Unaerp, Ribeirão Preto-SP, 2019, 11’)

Interprograma de animação/videografismo

“Emaranhamento Quântico: comportamento estranho das partículas”, de Ignacio Amigo (TV USP, São Paulo, 2018, 3‘)


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