Cultura

Confira lista de 10 músicas que abordam a desigualdade racial no Brasil

Lei Áurea completa 132 anos, mas os negros ainda vivem resquícios da escravidão.




Treze de maio. Há 132 anos, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea e oficializava o fim da escravidão negra no Brasil. A data está cravada no calendário histórico brasileiro, mas gera controvérsia. A população negra não costuma comemorar a data, preferindo celebrar o 20 de novembro, data da morte do líder Zumbi dos Palmares, quando se celebra o Dia da Consciência Negra.

A contestação à comemoração da abolição é concentrada em dois pontos. O primeiro é a construção de uma heroína branca, a princesa Isabel, em detrimento da luta negra pela liberdade.  E o segundo, e principal, é o resultado prático da fim do regime escravocrata. A Lei Áurea aboliu a escravidão. Mas ela realmente acabou?

A lei garantiu a liberdade, mas não deu condições ao negro de se inserir na sociedade, no mercado de trabalho. Ou seja, não veio a igualdade. E os reflexos disso são sentidos até hoje. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, mais de 56% da população brasileira se declara negra. Essa superioridade numérica, no entanto, não se reflete em indicadores do mercado de trabalho.  O mesmo IBGE mostra que na Paraíba, por exemplo, brancos têm um rendimento em média 40% superior ao  recebido pelos negros. 

Outros números do IBGE, também divulgados em 2019, mostram que os negros formam a maior parte da força de trabalho no Brasil, 54,9%.  Mas o quantitativo da população negra sem emprego era muito maior no período, era de 64,2%. Os negros também representavam os mais afetados pela informalidade. No período, eles eran 47,3% desse segmento, enquanto os brancos eram 34,6%. 

Esses são apenas alguns números que servem para mostrar que a igualdade ainda não chegou, 132 anos após a Lei Áurea.  E esse cenário é constantemente denunciada na música brasileira. Cantores e compositores usam a arte para mostrar que ainda existem resquícios da escravidão na nossa sociedade. Para marcar o 13 de maio, o JORNAL DA PARAÌBA fez uma lista de 10 músicas, de diferente estilos, que abordam desigualdade racial no Brasil.

Confira a lista

‘Todo Camburão tem um pouco de navio negreiro’ – O Rappa 

É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista

 

‘Mama África’- Chico César 

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia

 

‘Carta à Mãe África’ – Gog 

 

As trancas, as correntes, a prisão do corpo outrora…
Evoluíram para a prisão da mente agora
Ser preto é moda, concorda? Mas só no visual
Continua caso raro ascensão social
Tudo igual, só que de maneira diferente
A trapaça mudou de cara, segue impunemente
As senzalas são as anti-salas das delegacias
Corredores lotados por seus filhos e filhas…

 

 

‘A Carne’ –  Farofa Carioca

Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
E vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquíatricos
A carne mais barata do mercado
é a carne negra
Dizem por aí

 

‘Boa Esperança ‘-  Emicida 

 

Por mais que você corra, irmão
Pra sua guerra vão nem se lixar
Esse é o xis da questão
Já viu eles chorar pela cor do orixá?
E os camburão o que são?
Negreiros a retraficar
Favela ainda é senzala, Jão!
Bomba relógio prestes a estourar

 

‘Preto Cismado’ – Aláfia

Não é teoria
A falsa abolição que não me
Trouxe melhoria
Coisificam o meu corpo todo dia
Resisto, pobre, preta, periferia!

 

 

Galanga Livre – Rincon Sapiência 

 

Nossa coragem levantar
Pro nosso medo encolher
Fui convidado pro jantar
Migalhas não vou recolher
Vida me chama pra cantar
Sem fuga, livre pra correr
Um bom terreno pra plantar
E a casa preta se ergue

Lerê, lerê
Não vamo mais querê
Senzala nunca mais
Amor ao meus Erê
No quilombo é fuzuê
Nosso ritual vai ter auê
Liberdade pra vivê


Nego Lutou – Fioti

Respeite nossa vida nossa luta
Não use de força bruta nem seus meios de opressor
Se eu sangro, se eu vivo, se eu venho 

Do mesmo lugar que você
Minha vida não deve valer menos que a sua TV
Que é pra ver meu povo sofrer
Minha gente morrer sem ter o que comer

 

‘Corra’ – Djonga 

Eu vi os menor pegando em arma, pois cês foram silenciadores
Eu vi meu pai chorando o desemprego, desespero
Pra quê isso, mano?
Eu não quero vida de pizzaiolo, e sim ser dono da pizzaria
Querem que eu me contente com nada
Sem meu povo o tudo não existiria

 

‘Povo Guerreiro’ – Criolo 

Nossos ancestrais
Lutaram pela liberdade
Contra tudo e contra todos
O negro nunca foi covarde

Fugiu da senzala
Refugiou-se nos quilombos
Conquistou a liberdade
Mas em busca da igualdade
Ainda sofre alguns tombos


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