Cultura

Após 50 anos longe do palco, Geraldo Vandré vai se apresentar com a Orquestra Sinfônica da PB

Apresentação acontece nos dias 22 e 23 de março, no Espaço Cultural, em João Pessoa.




“Eu tenho noção da importância desse concerto”, disse Geraldo Vandré

Após quase 50 anos sem subir ao palco, o cantor e compositor Geraldo Vandré vai quebrar o silêncio artístico. O paraibano vai fazer duas apresentações na terra natal ao lado da Orquestra Sinfônica da Paraíba. O concerto vai acontecer nos dias 22 e 23 de março, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa.

O evento será dividido em dois atos. No primeiro, Vandré sobe ao palco acompanhado da pianista Beatriz Malnic, com quem executa seis peças para piano compostas pela dupla. Já no segundo ato, a Orquestra Sinfônica da Paraíba, acompanhada do Coro Sinfônico do Estado, executará composições do homenageado, como: ‘Caminhando/Pra não dizer que não falei de flores’, ‘À Minha Pátria’, ‘Mensageira’ e ‘Fabiana’.

Vandré promete ainda no calor da emoção recitar poemas de sua autoria. “Pode ser ainda que entre uma apresentação e outra eu recite alguns de meus poemas. Vai depender da emoção do momento. Eu tenho noção da importância desse concerto para o país”, afirmou.

“Este concerto/recital é uma pequena antologia da obra deste grande artista. Mostra suas escolhas, sua dignidade e coerência”, afirma o secretário de Estado da Cultura, Lau Siqueira, que diz ainda lançar em breve um livro com produções inéditas de Vandré.

A notícia do concerto da Orquestra Sinfônica com Vandré havia sido antecipada pelo jornalista Sílvio Osias, em seu blog, no começo de janeiro. 

Os ingressos para os dois dias de apresentação serão distribuídos no dia 21 de março, a partir das 10h, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo de forma gratuita.

Um ícone

Geraldo Vandré é considerado um ícone da música brasileira. Ganhou destaque ao compor canções como: “Pra não dizer que não falei de flores”, “Disparada”, “Fica Mal com Deus”, dentre outras.

Subiu ao palco pela última vez no Brasil, no auge de sua carreira, em 12 de dezembro de 1968 – um dia antes da publicação do Ato Institucional nº5 (AI-5), um ato que, entre outras atrocidades, suprimiu a liberdade de expressão no Brasil.

Depois de fazer o Maracanãzinho lotado cantar o refrão de “Para não dizer que falei de flores”, passou a ser o artista mais requisitado, mas foi obrigado a sair do Brasil. Tempos depois, os militares condicionaram sua permanência no país ao compromisso de não cantar músicas de protesto. Desde então, não se apresentou mais.


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