Cultura

A singularidade do regresso

Cineasta paraibano radicado no Rio de Janeiro, José Joffily, fala sobre o seu novo documentário, Caminho de Volta, um filme de sua produtora .




“É uma missão de intrometido!”, sintetiza o cineasta paraibano radicado no Rio de Janeiro José Joffily sobre o seu novo documentário, Caminho de Volta, um filme da sua produtora Coevos Filmes junto com o Canal Brasil.
O longa-metragem se concentra em dois personagem, em dois locais distintos, mas com o mesmo objetivo: voltar para casa. André Câmara, 45 anos, vive há duas décadas em Londres, Inglaterra, e Maria do Socorro, no alto dos seus 87 anos há 25 anos mora em Nova York, nos EUA. Ambos querem voltar a viver no Brasil.
Hoje, o diretor vai conversar com a atriz e apresentadora Natália Lage sobre a produção e sua trajetória no programa Revista do Cinema Brasileiro, às 22h15, na TV Brasil.

“(O filme) foi um desejo de longa data de distinguir um documentário de uma reportagem. Queria muito fazer um Cinema Direto”, explica em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA. “Temos que se meter muito na vida das pessoas. Quando fui a Londres procurar os personagens, as questões sobre os imigrantes eram as mesmas. Sou mais interessado na história que na informação. As histórias são singulares e particulares”.

Para Joffily, as fronteiras entre a ficção e o documentário estão se desfazendo muito. O tema não é novo para o cineasta experiente, vide seus longas de ficção Dois Perdidos Numa Noite Suja (2002) e Olhos Azuis (2009). “Não temos opção. O filme vai te escolhendo”, aponta ele, que já viveu no mundo real o papel de imigrante, aos 20 anos de idade.

Quando estava à procura de personagens em Londres para Caminho de Volta, Joffily teve ajuda do fotógrafo André Câmara, que indicou brasileiros e até acompanhou nas entrevistas. “Um dia me dei conta de que o personagem era o André”, relembra. “Já a Socorro estava mais na minha cara ainda: simplesmente porque ela é a minha sogra!”.

Codirigido por Pedro Rossi, o longa passou no 20º Festival É Tudo Verdade e, segundo Joffily, está em negociações para entrar no circuito nacional no mês de outubro.

XODÓ PARAIBANO
“Sempre fico planejando fazer esse caminho de volta”, confessa o realizador quando indagado sobre suas raízes paraibanas. “Não permanentemente. A Paraíba quando eu sai era outra. Como no filme, eu não sou mais o mesmo também. Tenho um xodó especial por Cabedelo, pela Praia Formosa”, conta o veterano Joffily, que se tornará um septuagenário no mês de novembro.


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